CAPOEIRA E RESISTÊNCIA CULTURAL: A ATUAÇÃO DA ESCOLA DE CAPOEIRA REGIONAL REMANESCENTES NO DESENVOLVIMENTO DO PARQUE PEDRA DE XANGÔ
Resumo
Este estudo discute as práticas realizadas pela Escola de Capoeira Regional Remanescentes (ECRR) no território do Parque Pedra de Xangô, Cajazeiras, Salvador (BA), entre 2007 e 2025, identificando a capoeira como uma forma de resistência cultural e desenvolvimento humano. Inicia-se com a questão da invisibilidade acadêmica da experiência comunitária afrodescendente, do tipo de experiência vivida e relatada por praticantes na ECRR, que entrelaçam cultura, identidade e educação em geografias periféricas. A lacuna detectada relaciona-se com as poucas pesquisas que abordaram a capoeira como uma estratégia de ocupação simbólica e transformação social. A pesquisa é informada pelo valor agregado ao conhecimento ancestral marginalizado. Uma metodologia qualitativa, com orientação etnográfica, incluindo o uso de história oral, observação participante e revisão de documentos, é empregada. Os achados sugerem que a ECRR aumenta o sentimento de pertencimento, amplia as liberdades reais (Sen, 2010) e exporta a cultura afro-brasileira para o mundo mais amplo. Considera-se que a capoeira é um vetor de desenvolvimento territorial e, portanto, deve ser considerada uma política pública de inclusão e cidadania.