Meio rural: Identidade, Migração e Pertencimento
Resumo
O presente trabalho busca refletir sobre os impactos da migração de jovens no meio rural e suas consequências para os territórios e sujeitos que nele permanecem, especialmente a população idosa. A análise tem como base um recorte da dissertação de mestrado intitulada “Gênero, trabalho e envelhecimento no meio rural”, desenvolvida no distrito de Monte Alverne, em Santa Cruz do Sul (RS). A pesquisa evidencia que o envelhecimento no campo está diretamente relacionado à saída contínua de jovens, impulsionada pela concentração fundiária, desvalorização da agricultura familiar e ausência de políticas públicas voltadas à valorização do meio rural. Diante desse cenário, observa-se a sobrecarga das pessoas idosas, que muitas vezes permanecem sozinhos nas propriedades, enfrentando limitações físicas, acesso precário a serviços e isolamento social. Contudo, a permanência desses sujeitos também expressa resistência, reforçando vínculos afetivos, culturais e identitários com o território. A discussão evidencia que compreender o envelhecimento no campo demanda olhar para além das perdas demográficas, reconhecendo a importância da identidade rural como elemento central na sustentação dos territórios e na manutenção da memória, dos saberes e dos modos de vida locais. Por fim, defende-se a necessidade de políticas públicas que favoreçam tanto o envelhecimento digno quanto a permanência das juventudes, promovendo a sustentabilidade social, econômica e cultural dos espaços rurais.