SEGREGAÇÃO SOCIOESPACIAL, COVID-19 E AS REPERCURSSÕES TERRITORIAIS NO LITORAL NORTE DO RIO GRANDE DO SUL

Mariana Barbosa de Souza

Resumo


No presente artigo busca-se caracterizar as práticas espaciais percebidas no Litoral Norte gaúcho, notadamente em Capão da Canoa e Xangri-Lá, para relacioná-las com a pandemia que acomete a sociedade no atual contexto: COVID-19. A partir da aurora dos anos 1990 a presença de condomínios horizontais fechados é intensa e ela é estudada no interior das práticas de poder próprias ao contexto histórico e geográfico do Litoral Norte do Rio Grande do Sul, considerando as práticas políticas em que se percebe, não como um pano de fundo, mas sim como constitutivas do próprio objeto e das acepções que se produzem sobre ele. Para aprofundar o tema, partiu-se dos entendimentos propostos por Milton Santos (1996), Henry Lefebvre (2000 [1974]) e Roberto Lobato Corrêa (2007), para explicitar práticas como a segregação e a fragmentação urbana, amplamente experienciadas no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, para então relacioná-las com as repercussões territoriais da pandemia de COVID-19. Metodologicamente, a partir do materialismo dialético, pode-se evidenciar como a realidade concreta do Litoral Norte gaúcho influencia para as consequências advindas da pandemia.

Palavras-chave


Fragmentação urbana. Segregação urbana. Condomínios horizontais fechados. COVID-19.

Texto completo:

PDF

Referências


ALVAREZ, I. P. A segregação como conteúdo da produção do espaço urbano. In: VASCONCELOS, P. de A.; CORRÊA, R. L.; PINTAUDI, S. M. (org.). A cidade contemporânea: segregação socioespacial. São Paulo: Contexto, 2013. p. 111-127.

ANTAS JÚNIOR, R. M. Território e regulação: espaço geográfico como fonte material e não-formal do direito. São Paulo: Humanitas/FAPESP, 2005.

CALDEIRA, T. P. do R. Enclaves Fortificados: a nova segregação urbana. Novos Estudos CEBRAP, n. 47, 1997.

CARLOS, A. F. A. Seria o Brasil “menos urbano do que se calcula”? In: CARLOS, A. F. A. O espaço urbano: novos escritos sobre a cidade. São Paulo: Contexto, 2004, p. 129-136. (Publicado originalmente na revista Geousp, número 13, em junho de 2003).

CARLOS, A. F. A. A prática espacial urbana como segregação e o “direito à cidade” como horizonte utópico. In: VASCONCELOS, P. de A.; CORRÊA, R. L.; PINTAUDI, S. M. (Org.). A cidade contemporânea: segregação socioespacial. São Paulo: Contexto, 2013. p. 95-110.

CARLOS, A. F. A. Da “organização” à “produção” do espaço no movimento do pensamento geográfico. In: CARLOS, A. F. A.; SOUZA, M. L. de; SPOSITO, M. E. B. (org.). A produção do espaço urbano: agentes e processos, escalas e desafios. São Paulo: Contexto, 2014. p. 53-74.

CARLOS, A. F. A. A revolução no cotidiano invadido pela pandemia. In: CARLOS, Ana Fani Alessandri. (org.). A COVID-19 e a crise urbana. São Paulo: FFLCH/USP, 2020. p. 10-17.

CORRÊA, R. L. O espaço urbano. São Paulo: Ática, 1989.

CORRÊA, R. L. Diferenciação sócio-espacial, escala e práticas espaciais. Cidades, v. 4, n. 6, 2007, p. 62-72.

CORRÊA, R. L. Segregação residencial: classes sociais e espaço urbano. In: VASCONCELOS, P. de A.; CORRÊA, R. L.; PINTAUDI, S. M. A cidade contemporânea: segregação espacial. São Paulo: Contexto, 2013. p. 38-59

FARIA, C. S. de. COVID-19: entre a vida e economia no Mato Grosso. In: CARLOS, Ana Fani Alessandri. (org.). A COVID-19 e a crise urbana. São Paulo: FFLCH/USP, 2020. p. 18-24.

HARVEY, D. Class structure in a capitalista Society and the theory of residential differentiation. In: PEEL, M.; CHISHOLM, M.; HAGGETT, P. (Org.). Processes in physical and human geography. Londres: Heinemann Educational Books, 1975. [Reproduzido em HARVEY, d. The urban experience. Baltimore: The Johns Hopkins University Press, 1985].

LEFEBVRE, H. A produção do espaço. Trad. Doralice Barros Pereira e Sérgio Martins (do original: La production de l’espace. 4e éd. Paris: Éditions Anthropos, 2000[1974].

PAULA, F. M. de A. Jovens migrantes na metrópole de Goiânia: práticas espaciais, (re)territorializações e redes de sociabilidade. 2013. 208 f. Tese (Programade Pós-Graduação em Geografia) – Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 2013.

RAMIRES, J. C. de L. A Verticalização do Espaço Urbano da Cidade de Uberlândia: Uma Análise da Produção e do Consumo da Habitação. 1998. 310 f. Dissertação (Doutorado em Geografia Humana). Programa de Pós-Graduação em Geografia Humana, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo. São Paulo, 1998.

RAPOSO, R. Condomínios fechados em Lisboa: paradigma e paisagem. Revista análise social. Lisboa, V. XLIII(1º), 2008, p 109-131.

RODRIGUES, A. M. Loteamentos murados e condomínios fechados: propriedade fundiária urbana e segregação socioespacia. In: VASCONCELOS, P. de A; CORRÊA, R. L.; PINTAUDI, S. M. (Org.). A cidade contemporânea: segregação socioespacial. São Paulo: Contexto, 2013. p. 147-168.

ROLNIK, R. A lógica da desordem. Le Monde Diplomatique Brasil. São Paulo, p. 10-11, 2008.

SABATINI, F.; SIERRALTA, C. Medição da segregação residencial: meandros teóricos e metodológicos e especificidades latino-americana. In: CÁCERES, G.; SABATINI, F. (orgs). Los barrios cerrados en Santiago de Chile: entre la exclusión y la intregración social. Santiago-Chile: Instituto de Geografia, PUC, 2004.

SANTOS, M. A Natureza do Espaço. São Paulo: Hucitec/Edusp, 1996.

SANTOS, M. Metrópole corporativa fragmentada: o caso de São Paulo. São Paulo: Nobel: Secretaria de Estado da Cultura, 1990.

SERPA, A. O espaço público na cidade contemporânea. São Paulo: Contexto, 2007.

SIMONI, C. A COVID-19 e o direito à cidade dos pobres no Brasil. In: CARLOS, Ana Fani Alessandri. (org.). A COVID-19 e a crise urbana. São Paulo: FFLCH/USP, 2020. p. 25-34.

SILVEIRA, R. L. L. da; SOUZA, M. B. Norma e território: contribuições multidisciplinares. 1. ed. Santa Cruz do Sul: EDUNISC, 2017. 270 p.

SILVEIRA, R. L. L. da. Cidade, corporação e periferia urbana: acumulação de capital e segregação espacial na (re)produção do espaço urbano. Santa Cruz do Sul: EDUNISC, 2003.

SOUZA, M. B. D. Urbanização e segregação socioespacial na região do litoral norte do Rio Grande do Sul: uma análise da expansão e da (i)legalidade dos condomínios horizontais residenciais. 2013. 119 f. Dissertação (Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional – Mestado e Doutorado)-Universidade de Santa Cruz do Sul, Santa Cruz do Sul. Disponivel em: . Acesso em: 19 jun. 2020.

SOUZA, M. B. de. Condomínios horizontais fechados: Urbanização e segregação socioespacial no Litoral Norte do Rio Grande do Sul. Santa Cruz do Sul, 2017.

SOUZA, M. L. de. Fobópole: o medo generalizado e a militarização da questão urbana. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2008.

SOUZA, M. L. de. Os conceitos fundamentais da pesquisa sócio-espacial. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2013.

SOUZA, M. L. de. A prisão e a ágora: reflexões em torno da democratização do planejamento e da gestão das cidades. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2006.

SPOSITO, M. E. B. GÓES, E. M. Espaços fechados e cidades: Insegurança urbana e fragmentação socioespacial. São Paulo: Editora Unesp, 2013.

VASCONCELOS, P. de A. Contribuição para o debate sobre processos e formas socioespaciais nas cidades. In: VASCONCELOS, P. de A.; CORRÊA, R. L.; PINTAUDI, S. M. (Org.). A cidade contemporânea: segregação socioespacial. São Paulo: Contexto, 2013. p. 17-38.

VILLAÇA, Flávio. Espaço intraurbano no Brasil. São Paulo: Studio Nobel, 1998.

VOLOCHKO, D. O cotidiano dos pobres não pode parar: a pandemia e a necrodemografia do capital. In: CARLOS, Ana Fani Alessandri. (org.). A COVID-19 e a crise urbana. São Paulo: FFLCH/USP, 2020. p. 35-41.




DOI: http://dx.doi.org/10.17058/agora.v22i2.15465

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.


Disponibilidade para depósito: permite o depósito das versões pré-print e pós-print de um artigo