Lugares da Memória, Representações e Poderes

José Manuel da Silva Simões

Resumo


No seguimento de uma série de contactos estreitos com uma comunidade social situada nos municípios de Baía da Traição, Rio Tinto, Marcação e Mataraca, a 85 quilómetros de distância de João Pessoa, capital do Estado da Paraíba, decidi, desde 2006, levar a efeito um intenso trabalho de campo nestas aldeias indígenas com o objectivo de concretizar um projeto de investigação que englobasse em obrigatória interdisciplinaridade os campos tantas vezes excessivamente singulares da História, da Sociologia, da Política, da Antropologia Cultural e das Teorias da Comunicação, acompanhando e refletindo sobre características e organização social, rituais, manifestações de carácter religioso, evolução histórica, usos e costumes de uma tribo que se abriu quase rendida ao exterior, mas porfiando em manter, todavia, traços e, sobretudo, um discurso narrativo de representações culturais ancestrais. Esta propositada interdisciplinaridade persegue um objectivo epistemológico bem preciso: transformar a investigação empírica em contribuição para uma nova teoria da história da comunicação – a comunicação antropo-histórica entre comunidades ditas tradicionais e o “outro” – a área por mim privilegiada em investigações anteriores, nomeadamente ao nível da licenciatura e do mestrado.
Os Potiguara, cuja sociedade ainda não é alfabetizada e, na sua maioria, baseiam a sua cultura na tradição oral, transmitindo os seus lugares da memória sobretudo através do poder do português do Brasil, mesmo quando adornado por escassas palavras tupi, é graças à mensagem e à representação que algumas das suas manifestações culturais reinventam continuadamente a sua identidade Potiguara. É, assim, a mensagem e a representação que inventam o real social e reinventam dinamicamente a sua identidade cultural.

Palavras-chave


Organização social; Discurso narrativo de representações; Lugares de Memória

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DOI: http://dx.doi.org/10.17058/rzm.v2i2.5198