Interface metáfora e metonímia inscritas nas concepções de violência entre estudantes brasileiros e franceses

Meire Virginia Cabral Gondim, Ana Cristina Pelosi

Resumo


A metáfora e a metonímia são recursos eminentemente humanos, presentes na linguagem da vida cotidiana, ambas consideradas estruturas de pensamento. No entanto, muitas vezes, essas manifestações misturam-se a ponto de não conseguirmos estabelecer de fato as fronteiras entre elas. Por isso objetivamos analisar a construção de metáforas e de metonímias e suas inter-relações nas concepções de violência de jovens com idade média de 11-13 anos, estudantes de duas escolas situadas nas cidades de Fortaleza, Ceará e Libourne, França. O trabalho foi realizado com base na pesquisa qualitativa, tendo como eixo um estudo comparativo que possibilitou-nos analisar a complexidade da construção de sentidos da categoria VIOLÊNCIA em termos sociocognitivos e culturais. O corpus analítico é constituído de trechos de entrevistas realizadas com 24 estudantes, divididos em 06 grupos de 04 integrantes (12 brasileiros, 12 franceses). A leitura e a análise dos dados basearam-se nos aportes teóricos da Linguística Cognitiva, em especial, a Teoria Cognitiva da Metáfora e da Metonímia – TCMM. A inter-relação metáfora/metonímia mostrou-se evidente quando os dois grupos discorreram sobre os sentimentos decorrentes de ações violentas, como a dor e a tristeza e quando usaram partes do corpo para comunicar esses sentimentos. Os dois grupos, ao conceptualizarem a violência, utilizaram-se de processos metafóricos e metonímicos o que nos permite sugerir uma universalidade parcial dos esquemas cognitivos de base corpórea para comunicar e expressar sentimentos.

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DOI: http://dx.doi.org/10.17058/signo.v38i65.4546

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