ATIVIDADE DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL ATRAVÉS DE TRILHA INTERPRETATIVA

Morgana Pereira da Costa

Resumo


A aplicação de técnicas e interpretação de trilhas em parques urbanos possibilita o despertar da consciência ambiental em seus visitantes, pois se trata de um instrumento facilitador para a sensibilização em práticas de Educação Ambiental de caráter formal e não formal. O Parque da Gruta, inserido no Cinturão Verde e ponto turístico de Santa Cruz do Sul, tem um importante papel social, cultural e ambiental na vida da sociedade santa-cruzense, por isso, a necessidade de ações que visem, especialmente, a conscientização ambiental e a sua preservação. Reigota (2009, p. 14) afirma que “a Educação Ambiental deve ser entendida como uma educação política, no sentido que ela reivindica e prepara os cidadãos para exigirem justiça social, cidadania nacional e planetária, autogestão e ética nas relações sociais e com a natureza”. Propõe-se o desenvolvimento de uma trilha interpretativa, autoguiada, conduzida no Parque da Gruta, como instrumento de Educação Ambiental, de modo que durante a visita, os indivíduos recebam um folder desenvolvido à luz da metodologia de Indicadores de Atratividade de Pontos Interpretativos (IAPI), a fim de que se apropriem das informações a respeito dos recursos naturais e da biodiversidade do Parque e, sobretudo, sobre o seu papel na preservação do meio ambiente. No primeiro momento foi realizada uma pesquisa histórica e bibliográfica do Parque da Gruta e do município de Santa Cruz do Sul, seguida de conversas com alguns visitantes e profissionais da área ambiental. Para a escolha dos pontos interpretativos utilizou-se de uma trilha já existente no Parque onde se buscou cumprir plenamente as fases propostas pelo método descrito por Magro e Freixêdas (1998) de Indicadores de Atratividade de Pontos Interpretativos (IAPI), composto por cinco fases: 1- Levantamento dos pontos potenciais para a interpretação, 2- Levantamento e seleção de indicadores, 3- Elaboração da Ficha de Campo, 4- Uso da Ficha de Campo e 5- Seleção Final. A ficha de campo considerou 18 pontos potenciais de interpretação no Parque da Gruta, que foram numerados em ordem crescente ao longo do percurso. Para a realização dos cálculos, cada indicador foi transformado em números de 1 a 3 e, após, multiplicado pelo seu respectivo peso. Estes valores somados permitiram chegar à pontuação final do índice interpretativo de cada um dos 18 pontos. Os pesos atribuídos a cada indicador tiveram por base a importância do tema em questão, considerando a qualidade da interpretação do visitante. Assim, os indicadores de posição superior, escala em 1º plano, som de água, presença de rochas e presença de epífitas receberam peso 2, enquanto os indicadores de escala ao fundo e visual de água receberam peso 3. Os demais indicadores receberam o peso 1. Na etapa final, dos 18, foram excluídos 7 que obtiveram resultados entre 8 e 11 pontos. Estes pontos abrangeram os temas: água (P1), árvore, grande (P6), saída 1 (P11), parede de pariparoba (P13), saída 3 (P16), pinheiro (P17) e fim da trilha (P18), respectivamente. Então foram selecionados 11 pontos de interpretação de acordo com os valores finais do índice de atratividade que variaram entre 8 e 23 pontos, sendo eles: P2 samambaias, P3 parede de bambu, P4 ponte, P5 área de bifurcação com trepadeira, P7 arroio, P8 parede de bambu, P9 área com resquício de queimada, P10 parede dupla de bambu, P12 palmeira leque, P14 saída 2 e P15 antigo muro. Contemplando estes 11 pontos interpretativos selecionados e considerando as paradas marcadas durante seu percurso, optou-se por elaborar um folder, de modo que ao explorar a trilha, o visitante, em seu próprio ritmo, sinta-se parte integrante do local, auxiliando na valorização deste ambiente, tornando-se um local muito além do lazer e despertando ações para a sua conservação e preservação. Salienta-se que foi atribuída uma nomenclatura popular e acessível aos temas, tendo em vista que o público alvo frequentador do Parque é bastante diversificado. Na área do Cinturão Verde onde o Parque da Gruta está inserido, já foram realizados alguns estudos e de acordo com Putzke (2013), se repararmos no que é o Cinturão Verde hoje, notaremos que é uma mata jovem, em regeneração e que dependerá do trabalho de muitas gerações para ser recuperada, lembrando-se deste ambiente que antes tinha árvores gigantescas. Pode-se afirmar que a utilização do método IAPI contribuiu para o planejamento e facilitação da escolha dos pontos interpretativos de maneira mais objetiva e sistematizada. A trilha do Parque da Gruta mostrou-se bastante atrativa, apresentando diferentes picos de atratividade que estimulam a atenção do visitante durante todo o percurso, com pontos que despertam a curiosidade sobre os recursos naturais e culturais ali existentes. Já o folder apresenta uma trilha planejada com pontos interpretativos dinâmicos que contemplam diferentes picos de atratividade e estimulam a atenção do visitante durante todo o percurso, incentivando-o a apreciar a área como um todo e valendo-se deste espaço de interação. Deseja-se, fortemente, que os visitantes não utilizem o Parque da Gruta apenas como espaço de lazer e recreação, mas também como um espaço para reflexões críticas sobre a importância de sua preservação e sensibilizem-se para as práticas de Educação Ambiental. E quem sabe, com a união e mobilização de todos, esta área torne-se uma Unidade de Conservação.

 

Palavras-chave: Parque da Gruta; Cinturão Verde; Trilha interpretativa; Educação Ambiental; Santa Cruz do Sul.


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