A PRECARIZAÇÃO DAS CONDIÇÕES DE TRABALHO DOS GESTORES ESCOLARES DE UMA ESCOLA ESTADUAL NO MUNICÍPIO DE SANTA CRUZ DO SUL/RS

Aline Caroline da Rosa, Moacir Fernando Viegas

Resumo


A presente comunicação é referente a um estudo de caso realizado com um grupo de gestores escolares de uma escola localizada no município de Santa Cruz do Sul/RS no ano de 2016, na qual dialogou-se questões referentes a educação e trabalho, resultando em material teórico para interlocuções que seguiram no ano de 2018 e produção bibliográfica referente a temática para o curso de Pós-Graduação em Gestão Escolar.

Essa discussão encontra-se vinculada a Linha de Pesquisa Educação, Trabalho e Emancipação do Mestrado em Educação na Universidade de Santa Cruz do Sul. É um estudo de caráter qualitativo, do tipo estudo de caso, o qual, segundo Triviños (1987) baseia-se em questões dialéticas da realidade social.

Foram realizadas entrevistas semiestruturadas com três profissionais docentes que atuam na gestão da escola, com o objetivo de analisar e conhecer as condições de trabalho destes gestores, bem como, compreender de que forma, as condições de trabalho interferem no cotidiano desses trabalhadores em educação.

Para a coleta de dados além das entrevistas semiestruturas com os membros participantes da equipe diretiva, sendo eles: a diretora da escola, a supervisora e o coordenador pedagógico, foram realizadas anotações, observações de campo e análise de documentos escolares, como o Projeto Político Pedagógico-P.P.P e o Regimento Escolar, com a intenção de entender a concepção de gestão escolar expressa através destes.

A partir das informações coletadas várias categorias se sobressaíram. Destacaremos neste resumo a categoria das condições de trabalho, que irá dialogar com a categoria formação continuada, as quais nos permitem compreender a necessidade de análise e discussão baseada no trabalho real e prescrito dos trabalhadores em educação, a partir do campo.

Como referencial teórico utilizado para compreender a categoria do trabalho, utilizamos Trinquet (2010) e Albornoz (1994), entendendo o trabalho como algo inerente a natureza humana, através do qual o homem se constituiu como ser humano. Desta forma, considerando os aspectos formais e informais que o trabalhar traz até a sua ação cotidiana e os processos de renormalização que segundo Schwartz (2010) constituem o seu saber. Alarcão (2001) e Libâneo (2004) que contribuem articulando a necessidade de posturas e concepções democráticas por parte das instituições escolares, com a importância de políticas administrativas, curriculares e pedagógicas que busquem contemplar as necessidades que as escolas apresentam.

Ambos os autores, bem como as conclusões que a comunicação apresenta, baseiam-se na LBD-9.394/96- Lei de Diretrizes e Bases, que assegura que a democratização do ensino, esteja presente no cotidiano escolar em todos os níveis e modalidades de ensino.

A análise das entrevistas e dados coletados nos possibilitaram perceber que os profissionais da gestão, consideram algo “complexo” trabalhar com um modelo de gestão escolar democrática, em função do contexto sociopolítico no qual os trabalhadores se encontravam.

Contexto esse, marcado por condições de trabalho precárias, como é o caso do desgaste físico e emocional dos entrevistados, pois os gestores estavam encontrando barreiras no diálogo com os professores, em função das greves e parcelamento dos salários. Embora assumissem uma postura de diálogo e decisão conjunta, pode-se observar que na prática é difícil agir democraticamente, quando as condições são adversas e que a hierarquia se sobrepõe em algumas questões.

Além disso, destaca-se também a importância da formação continuada para os membros gestores dessa escola, que procuraram em dialogar e estudar a melhor forma de coletivamente realizar a reelaboração de seus documentos pedagógicos e elencar temáticas que viessem de encontro com as necessidades do cotidiano dos professores, para realizar suas formações.

Notou-se resistência por parte dos professores na realização de um trabalho que exigia comprometimento de todos os envolvidos. Destacamos que muitos professores demonstraram-se desmotivados em função da crise financeira do Estado. Durante as semanas de observações de campo, em vários momentos houve reuniões com os professores, gestores e membros do CPERS com o objetivo de discutir a situação das possíveis reinvindicações e manifestações docentes para que os salários fossem regularizados.

Diante do contexto sociopolítico, o qual envolve também os gestores, foi concluído que há propostas democráticas e de formação continuada na escola, considerando as condições de trabalho, não somente as questões gerais, que afetam todos os profissionais que exercem suas funções na escola, mas também aquelas que se referem especificamente aos gestores: Falta de dinheiro para a administração das necessidades básicas da escola, resistência dos professores em aceitar e contribuir com as propostas da gestão e a participação nas reuniões pedagógicas, a quantidade de alunos e professores que a orientadora estava atendendo, a carga horária exacerbada e a demanda do trabalho podemos concluir que é fundamental discutir as condições de trabalho no âmbito da educação, de forma que o trabalho destes profissionais seja reconhecido e valorizado, pela sociedade e pelo governo, possibilitando assim, que não somente os gestores, mas a escola como um todo, qualifique suas práticas e propostas de diálogo e formação continuada de qualidade.

 

Palavras-chave: Gestão Escolar; Educação e Trabalho; Condições de Trabalho.


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