SOBRE MÃES E SEUS CUIDADOS PARA COM FILHOS ACOMETIDOS POR MALFORMAÇÃO LABIOPALATAL

Giseli Vieceli Farinhas, Andriela Vieceli Mattje, Denise Fabiane Polonio, Edna Linhares Garcia

Resumo


A fissura labiopalatal representa um problema de saúde pública decorrente da possível morbidade que acomete ao sujeito. Associada à etiologia complexa e extensa essa malformação afeta cerca de 1,5 a cada 1.000 nascidos vivos mundialmente. O tratamento da malformação labiopalatal compreende um período extenso de tempo, em torno de 16 a 20 anos. Este artigo busca identificar o perfil sociodemográfico, clínico e a vivência de cuidados de mães de filhos com malformação labiopalatal nos serviços de atenção à saúde. Consiste de um estudo com abordagem qualitativa e quantitativa, de cunho exploratório e descritivo, cuja coleta dos dados foi realizada por meio de entrevista semiestruturada. Participaram da pesquisa 16 mães de bebês atendidos em um serviço de referência à esta malformação. Constata-se, dentre outros resultados, que 75% das mães não tem ou não sabem sobre a existência de atenção ou atendimento para elas e seus bebês na atenção primária, 63% delas afirmam que os profissionais desse nível de atenção não têm preparo para auxiliá-las com relação a malformação. A maioria das mães (63%) relatou que têm familiares com malformação labiopalatal, e, 37% não têm. O acompanhamento pré-natal na atenção primária de saúde foi realizado por 56% das mães, 34% realizaram em serviços particulares de saúde, 5% tiveram acompanhamento na atenção primária e também em serviços particulares, e, 5% não fizeram acompanhamento pré-natal. Conclui-se com esses resultados que o cuidado destinado a essas famílias torna-se fragmentado, pois as mães só se sentem seguras para sanar suas dúvidas com os profissionais do serviço especializado. Sugere-se a construção e/ou fortalecimento e melhor interlocução da rede de atenção à saúde, visando dar suporte às vivências de cuidado. Refletimos sobre a possibilidade de que o conhecimento insuficiente por parte dos profissionais da rede primária de saúde possa estar implicado nas dificuldades de cuidado a estes usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) devido a baixa interlocução entre as diferentes instâncias do cuidado. Dessa forma, os serviços de atenção primária não têm o suporte necessário para coordenar ações de cuidados e atuar de maneira resolutiva frente às demandas de mães e bebês acometidos por esta malformação. É necessário problematizar os serviços prestados pelos profissionais da atenção primária e pensar em estratégias e ações que possibilitem capacitar essas equipes e aprimorar suas práticas de cuidado. Para que as redes de cuidados destinadas a estes sujeitos tornem-se resolutivas, ampliando as possibilidades de intervenção e estreitando a comunicação entre serviços de atenção primária e especializada.

Palavras-chave


Fissura labial; Fissura palatina; Serviços de saúde; Mães.

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