A PANDEMIA COVID-19 E O DESCONHECIDO: RESSIGNIFICAÇÕES NO MUNDO DO TRABALHO

DANIELLI COSSUL, Anna Limberger, Alíssia Gressler Dornelles

Resumo


A incidência da pandemia Covid-19 como um marco do século XXI no mundo inteiro, traz a necessidade de adaptações dos sujeitos diante dos mais diversos cenários e instituições sociais. Neste estudo, abordamos um recorte do campo educacional, tendo em vista que, nesse contexto da pandemia, professores e alunos utilizam a educação remota como uma estratégia para manutenção dos processos de formação tanto no ensino básico, como no ensino superior. O objetivo do trabalho, desenvolvido na disciplina de Estágio Básico A, foi produzir uma análise dos processos institucionais de uma biblioteca universitária localizada em um município do interior gaúcho. Ao realizar uma aproximação do serviço, buscamos investigar as demandas surgidas com a pandemia, bem como as dificuldades enfrentadas pela equipe de colaboradores. Este estudo, de cunho quantitativo e qualitativo, configurou-se como uma pesquisa exploratória que surge através da inserção na rotina do serviço. Realizamos cinco encontros presenciais e aplicação de um questionário intitulado ?Termômetro do bem-estar?. Os pressupostos da Psicologia Institucional fundamentam nossas análises. Tendo em vista que a demanda é construída pelos encontros entre analistas e sujeitos e que ela surge da relação entre instituição e interventores, destacamos esse como nosso ponto de partida. Tais definições elucidam a possibilidade de produzirmos, não necessariamente demandas, mas reflexões sobre o espaço visitado e sua dinâmica institucional. O Termômetro do Bem-estar aponta incertezas acerca do futuro, preocupação quanto ao salário e à manutenção de empregos, medo de contrair o vírus e dificuldade no controle da ansiedade. Esses elementos evidenciam questões de ordem concreta e subjetiva, as quais atravessam de forma significativa a vida desses sujeitos. A investigação dos fenômenos identificados permite a correlação de três analisadores, são eles: 1) pandemia, que resulta em mudanças estruturais e adaptação relacionadas ao modelo de serviço prestado (drive thru); 2) transversalidade versus relações de trabalho, devido à baixa incidência de agenciamentos entre colaboradores que estão trabalhando nos formatos home office e presencial. Estabelecer conexões entre aquilo que pertence ao outro e o que pertence ao eu, cria caminhos facilitadores para atribuição de sentidos e significados; 3) desuso versus rotina, pois os processos observados na instituição correspondem a 5%  da realidade habitual de trabalho, o que está associado a questionamentos acerca da sua força e capacidade produtiva. A partir das práticas laborais, o sujeito se transforma e se autoproduz. Os colaboradores encontram-se em uma situação peculiar no seu cotidiano de trabalho, passando a sua carga horária sem algo concreto para fazer. Concluímos que o fenômeno da pandemia carrega consigo o desconhecido. Rotinas diárias ainda estão sendo adaptadas, encontram-se, por vezes, desprovidas de entendimentos, desencadeando inseguranças, medos e angústias. A pandemia desequilibra significações, desencadeia questionamentos sobre atribuição de valores, crenças e desejos. Percebemos rotinas enfraquecidas pela dificuldade do reconhecimento de si e do outro diante desta nova realidade. Entendemos que esse cenário apresenta aspectos em comum com os diferentes espaços sociais atualmente, o que demanda um processo subjetivo de produção de sentidos - ressignificações - pelos sujeitos que constroem e são atravessados pelo mundo do trabalho na contemporaneidade.

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ISSN 2764-2135