DOENÇAS CRÔNICAS NÃO TRANSMISSÍVEIS: UM ESTUDO COM TRABALHADORES RURAIS NO SUL DO BRASIL

Carla Aparecida Gonçalves dos Santos, Maiara Helena Rusch, Patrik Nepomuceno, Miriam Beatris Reckziegel, Bruno de Almeida Roos, Hildegard Hedwig Pohl

Resumo


Introdução: As doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) incluem as doenças do aparelho circulatório, diabetes, câncer e doenças respiratórias crônicas. Doenças que acarretam perda de qualidade de vida, limitações e incapacidade. Não obstante, o plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das DCNT, em curso no Brasil, estas doenças afetam boa parte da população, inclusive os trabalhadores rurais. Objetivo: Descrever o perfil de DCNT de trabalhadores rurais do interior do Rio Grande do Sul. Método: Trata-se de um estudo transversal descritivo com dados retrospectivos do projeto de pesquisa “Triagem de Fatores de Risco Relacionados à Obesidade, Estilo de Vida, Saúde Cardiometabólica e Doenças Crônicas Não Transmissíveis: impacto da promoção e educação em saúde em trabalhadores rurais e urbanos – Fase IV”, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da instituição, sob CAAE 43252721.1.0000.5343. Sendo sujeitos da pesquisa trabalhadores rurais da microrregião sul do Conselho Regional de Desenvolvimento do Vale do Rio Pardo (COREDE-VRP). Os dados referentes ao sexo foram obtidos por meio de questionário estruturado. Para avaliação bioquímica, foi realizada coleta sanguínea, por profissional capacitado, estando os pesquisados em jejum de 12h, após as amostras foram processadas e analisadas em equipamento automatizado por meio de kits comerciais. Foram considerados os valores de glicose, colesterol total, HDL e LDL e triglicerídeos, os dados foram classificados conforme a Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes e Diretriz Brasileira de Dislipidemia e Prevenção da Aterosclerose. Os dados pressóricos foram obtidos com o indivíduo em repouso, conforme recomendações da Sociedade Brasileira de Hipertensão, sendo analisado pressão arterial sistólica (PAS) e diastólica (PAD) e posteriormente classificados segundo a Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial. A análise estatística descritiva foi realizada por meio do SPSS (v. 23.0), sendo os dados expressos em valores absolutos (n) e relativos (%). Resultados: Foi analisado um total de 106 trabalhadores rurais, sendo 53 homens (49,5%) e 54 mulheres (50,5%). Em relação a glicose, constatou-se que 75% da amostra apresentou valores de normalidade, 20% foram classificados com “pré-diabéticos” e 5% são “diabéticos”. Para os triglicerídeos, analisou-se que 76% estão no nível desejável, 16% no limítrofe e 8% alto. Já no colesterol total 26% estão com valores desejáveis, 30% limítrofe e 44% alto. No colesterol HDL, 43% foram classificados como “desejável”, 1% “baixo” e 56% “limítrofe”, já para o colesterol LDL constatou-se que 9% apresentaram resultado “ótimo”, 26% “desejável”, 30% “limítrofe”, 20% “alto” e 15% “muito alto”. Considerando os valores de PAS, 28% foram classificados como “ótimo”, 33% “normal”, 16% “limítrofe”, 19% com “hipertensão estágio 1” e 4% “hipertensão estágio 2”, para a PAD, 34% apresentavam valor “ótimo”, 34% “normal”, 2% “limítrofe”, 24% “hipertensão estágio 1”, 4% “hipertensão estágio 2” e 2% “hipertensão estágio 3”. Conclusão: Observa-se que há prevalências de pré-diabéticos, diabéticos, alterações de triglicerídeos, colesterol total, HDL e LDL, caracterizando dislipidemia e hipertensão. Sendo necessário ações de educação em saúde para instrumentá-los a fim de prevenir agravos futuros relacionados às DCNT. 

Palavras-chave: Doenças Crônicas, DCNT, Trabalhadores Rurais, Hipertensão,

Colesterol, Glicose, Triglicérides.





ISSN 2764-2135