PRODUÇÃO E LIBERAÇÃO DO PARASITOIDE HABROBRACON HEBETOR (HYMENOPTERA: BRACONIDAE) PARA CONTROLE DA TRAÇA-DO-TABACO NA PÓS-COLHEITA

Mathias Borges da Silva, Cleder Pezzini, Andreas Köhler

Resumo


A traça-do-tabaco Ephestia elutella (Lepidoptera: Pyralidae) é um inseto-praga que ocorre na pós-colheita, gerando danos ao consumir as folhas do tabaco (Nicotiana tabacum L.), além de deixar seus resíduos, reduzindo a quantidade e qualidade do tabaco armazenado. Atualmente o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento possui dois agrotóxicos registrados para o controle desta praga na cultura do tabaco, o fosfeto de alumínio ou magnésio (Fosfina), classificado como extremamente tóxico e altamente perigoso ao meio ambiente, e o agente biológico de controle Habrobacon hebetor (Hymenoptera: Braconidae) que é um produto fitossanitário com uso aprovado para a agricultura orgânica registrado em 2021. Levando em consideração esses fatos, a busca por novos métodos de controle, que visam uma produção sustentável faz com que a utilização do parasitoide H. hebetor, acabe tendo uma grande demanda entre produtores e empresas do ramo. Esse trabalho teve como objetivo caracterizar o processo de produção do parasitoide H. hebetor e avaliar o efeito da sua liberação na infestação de E. elutella em ambientes de armazenamento de tabaco. No processo de criação e multiplicação do parasitoide H. hebetor utilizou-se como hospedeiro a traça-das-farinhas Ephestia kuehniella (Lepidoptera: Pyralidae). Quando as larvas hospedeiras estavam em último instar era efetuada a liberação dos parasitoides no recipiente de criação para realizarem o parasitismo. Após aproximadamente 14 dias, os primeiros parasitoides emergiam, sendo transferidos para outros recipientes contendo novas larvas do hospedeiro, assim, multiplicando a população dos mesmos. De forma contínua, esse processo acontecia a fim de mantê-los aptos para liberação inundativa destes agentes biológicos. Foram utilizados dois armazéns de uma empresa de tabaco, sendo um efetuando as liberações de H. Hebetor e outro sem liberação como controle, cada uma constituída por aproximadamente 30.000 parasitoides. Além disso, também foram empregadas, armadilhas adesivas com feromônio sexual para monitorar durante 16 semanas o número médio de adultos de E. elutella nos ambientes com e sem liberação do parasitoide. O número médio de adultos de E. elutella capturados nas armadilhas nos ambientes com liberação, é significativamente menor (redução média de 53%) do que naquele sem liberação, chegando até no máximo 75% de redução no número de traças. O trabalho de multiplicação do parasitoide em larga escala e o controle de qualidade dos organismos produzidos evidencia o conhecimento técnico necessário para disponibilizar insetos competitivos e de qualidade para serem utilizados em programas de controle biológico. Com o domínio da produção em larga escala, pode-se ampliar as liberações inundativas em mais ambientes e suprir programas de controle biológico sem o risco de haver uma descrença dessa técnica quando utilizada. Portanto, o uso de H. hebetor para controle da traça-do-tabaco deve ser considerada como parte de um programa de manejo integrado de pragas em ambientes com tabaco estocado.



ISSN 2764-2135