SÍNDROME DE ASMA FELINA - RELATO DE CASO

Joana Vighi, Michele Berselli, Valter da Silveira Júnior

Resumo


A síndrome de asma felina é comumente vista na rotina clínica em felino, sendo uma causa frequente de dificuldade respiratória, a qual, mesmo não possuindo predisposição sexual, afeta mais os gatos jovens, pois raramente vista em animais mais velhos. A síndrome atinge o trato respiratório posterior dos animais, caracterizada por uma inflamação predominante eosinofilica, com sua possível causa alérgena. A reação de hipersensibilidade do tipo 1, é o que inicia a inflamação das vias respiratórias, após a inalação de algum alérgeno como fumaça de cigarro, poluição, entre outros.  Ademais, alguns casos de síndrome de asma felina, podem facilmente ser confundidas com bronquite crônica. O objetivo da pesquisa é apresentar as principais características clínicas, macroscópicas e microscópicas que possamos encontrar em animais com síndrome de asma felina, além disso, relatar o estudo de caso realizado. Um felino, macho, sem raça definida de 1 ano e 6 meses, foi atendido no Hospital Veterinário da Universidade de Santa Cruz Do Sul, apresentando uma lesão no dorso, sangramento oral e nasal, e intensa dispneia, em razão disso foi internado para estabilização. Nos casos de asma felina, os sinais clínicos podem ser brandos, de acordo com cada paciente, neste caso o animal estava dispinéico, sendo encaminhado para diagnóstico por imagem. O diagnóstico envolve a análise do histórico de sinais clínicos, radiografia torácica e análise citológica, portanto, foi realizado exames de imagem, raio x torácico e foi encontrado no pulmão o padrão broncointersticial, característica de um animal com síndrome asmática ou doença brônquica. Mesmo após os exames realizados e o animal internado, ele foi a óbito e encaminhado para necrópsia. Na necropsia, verificou-se que a sua condição corporal era normal, mas havia secreção avermelhada no trato respiratório. A abertura da cavidade abdominal, fígado e o baço se encontravam congestos. O pulmão apresentou lesões miliares de consistência firme manchado de cinza e rosa. Na avaliação microscópica foi encontrada nos brônquios um aumento acentuado de células caliciformes e glândulas brônquicas. Além disso também foi observado hiperplasia e hipertrofia das túnicas muscular das artérias e arteríolas, juntamente com o musculo liso dos bronquíolos e ductos alveolares, com uma discreta fibrose. Com base nas lesões microscópicas e imagem radiográfica, foi feito o diagnóstico de síndrome de asma felina. Essa síndrome é caracterizada por episódios de tosse, sibilos e/ou dispneia, decorrentes da broncocostrição secundária à hiperatividade do músculo liso das vias aéreas. Em um levantamento constatou-se que 36% de 152 gatos tratos com doenças respiratórias, possuem síndrome de asma felina.  Supõe-se que 1% dos felinos domésticos, serão acometidos por essa doença. Quando as biopsias são realizadas no início do quadro clínico, mostram uma inflamação leve, definida por edema da mucosa e grande quantidade leucócitos, em especial eosinófilos. Em casos mais avançados, a broncocostrição continua e grande produção de muco, pode resultar em hiperplasia da musculatura lisa e por consequência à obstrução dos brônquios, como vistos neste caso. Desse modo, conclui-se que a síndrome de asma felina é uma patologia relativamente comum na medicina felina e que causa danos ao paciente podendo ser fatal.

 




ISSN 2764-2135