DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DE DEPRESSÃO EM PACIENTE ESQUIZOFRÊNICO

Jhonatan Willian Pastre, Rafael Moreno Araújo

Resumo


Introdução: Pacientes esquizofrênicos apresentam frequentemente sintomas depressivos. Entretanto, em virtude da semelhança com sintomas negativos da própria doença ou efeitos adversos induzidos pelos antipsicóticos, eles são facilmente confundidos e isso torna mais complexo o diagnóstico de depressão. Objetivos: Evidenciar as diferenças entre sintomas negativos da esquizofrenia e sintomas depressivos. Materiais e Métodos: Revisão bibliográfica. Descrição do caso: Os sintomas positivos, exclusivos da esquizofrenia, são: delírios, discurso e comportamento desorganizado e alucinações. Estes sintomas não fazem parte dos critérios diagnósticos do episódio depressivo maior. Para o diagnóstico do episódio depressivo maior, precisamos de pelo menos cinco de nove critérios, ou seja, 56% dos critérios devem estar preenchidos, com obrigatoriedade de pelo menos um destes: humor deprimido ou perda de interesse ou prazer. Contudo, alguns sintomas são comuns a ambos diagnósticos, depressão e sintomas negativos da esquizofrenia, tais como: a diminuição do interesse ou prazer, concentração, indecisão e da expressão emocional, assim como avolia, alogia, abulia, falta de sociabilidade. Alguns sintomas negativos, como afastamento social, apatia e anedonia, fazem interseção com sintomas depressivos. Portanto, para a realização do diagnóstico diferencial, sugerimos o uso apenas dos critérios específicos do episódio depressivo maior. Sendo assim, os sintomas depressivos de maior especificidade e, portanto, de maior utilidade para o diagnóstico clínico são os sete seguintes: humor deprimido (que é um critério obrigatório), mais três entre: alterações do peso, do sono, agitação ou retardo psicomotor, fadiga, sentimento de inutilidade ou culpa excessiva e ideias de morte. Sintomas como perda de interesse e de prazer, abulia, dificuldade para concentração têm pouca utilidade para a avaliação do humor em pacientes com esquizofrenia. Para se fazer o diagnóstico, deve-se investigar ativamente os sintomas depressivos que sejam específicos de depressão em esquizofrenia e a estratégia terapêutica deve se basear no tipo de depressão apresentada pelo paciente. Portanto, a depressão intrínseca ao episódio psicótico agudo deve ser tratada apenas com os antipsicóticos, não sendo necessário a associação com antidepressivos, pois eles tendem a regredir com a melhora dos sintomas psicóticos. A associação de medicação antidepressiva ao antipsicótico não melhora a resposta terapêutica como evidenciado no relato. Conclusão: Pode-se concluir que o paciente não teve boa resposta ao antidepressivo utilizado, apesar de ter sintomas depressivos exclusivos e sintomas que contemplam as duas doenças. Com isso, reitera-se a utilização apenas de medicamentos antipsicóticos para pacientes com esquizofrenia até´ se confirmar a depressão como outra comorbidade.




ISSN 2764-2135