INCIDÊNCIA DE NEOPLASIAS MAMÁRIAS EM CADELAS E GATAS ATENDIDAS NO HOSPITAL VETERINÁRIO DA UNIVERSIDADE DE SANTA CRUZ DO SUL DE DEZEMBRO DE 2020 A AGOSTO DE 2021

Raíssa Thauane Bencke Gass, Joana Vighi, Daniela Jordan, Rebeca Luiza Overbeck, Bruna Carolina Bohm Schuster, Michele Berselli

Resumo


Estudos realizados no Brasil apontam o câncer como a segunda maior causa de mortes em animais de companhia, sendo as neoplasias mamárias as mais frequentes em cadelas e as terceiras mais frequentes em gatas. Em fêmeas férteis o crescimento e proliferação da glândula mamária é uma característica de seu ciclo estral, seguida de sua regressão ao final de cada ciclo em que não houve fecundação, sendo este um fator predisponente para a incidência de tumores mamários em fêmeas caninas e felinas. O tratamento empregado no Hospital Veterinário UNISC (HV- UNISC) para pacientes com neoplasias mamárias é o cirúrgico, removendo-se a cadeia mamária acometida e seus respectivos linfonodos. Este estudo tem como objetivo avaliar a frequência de tumores mamários caninos e felinos, bem como o tamanho e tipo histopatológico deles, a relação entre a ocorrência de neoplasias mamárias com a situação fértil do animal, dos atendimentos particulares e atendimentos pelo convênio com a Prefeitura de Santa Cruz do Sul. Os dados deste estudo são de pacientes atendidos no HV-UNISC durante o período de dezembro de 2020 a agosto de 2021. Neste estudo foram analisados os tumores de 21 fêmeas, 19 cadelas e 2 gatas, com idade média em torno de 9 anos, variando entre 2 a 13 anos. Destas, 90,4% (19/21) não eram castradas. A análise histopatológica das cadeias mamárias resultou no diagnóstico de 49 tumores, dos quais 48 foram diagnosticados como neoplásicos e 1 apresentou apenas alterações não neoplásicas. Ao se classificar quanto ao comportamento biológico das neoplasias, 81,25% (39/48) eram malignos e 18,75% (9/48) benignos. O tamanho variou entre 0,7 a 10 centímetros de diâmetro. Em gatas, teve maior prevalência o carcinoma tubular (60% [3/5]), sendo relatados ainda carcinoma in situ 20% [1/5]) e tumor filoides (20% [1/5]). Em cadelas, o de maior prevalência foi o carcinoma em tumor misto (34,88%, 15/43), seguido pelo carcinoma tubular (18,60% [8/43]), carcinoma micropapilar (13,95% [6/43]), adenomioepitelioma maligno (6,66%[3/43]), adenomioepitelioma benigno (4,65%[2/43]), tumor misto benigno (4,65%[2/43]), adenoma tubular (4,65%[2/43]) carcinoma in situ (2,32% [1/43]), carcinoma sólido (2,32% [1/43]), carcinoma túbulo-papilar (2,32% [1/43]), adenoma ductal (2,32% [1/43]) e fibroma (2,32% [1/43]). O carcinoma tubular, de maior prevalência em felinos, é uma neoplasia invasiva de origem ductal, que apresenta células epiteliais em arranjo tubular e é caracterizado por massas firmes, nodulares e infiltrativas. O carcinoma em tumor misto, mais frequente na glândula mamária das cadelas, é formado por uma porção epitelial maligna e por uma porção mesenquimal benigna, possui um aspecto multinodular e é caracterizado pelo seu alto índice mitótico e padrão de crescimento infiltrativo. Conclui-se que a incidência de tumor mamário é maior em cadelas se comparado as gatas, por conta da exposição prolongada ao estrógeno, visto que as gatas têm a ovulação induzida, enquanto nas cadelas ocorre a ovulação espontânea. Esse fator hormonal se mostrou de grande importância na incidência das neoplasias mamárias, visto que a grande maioria das fêmeas acometidas pelas neoplasias não eram castradas ou já haviam feito uso de hormônios exógenos, salientando-se assim a importância da castração precoce de fêmeas caninas e felinas e a contraindicação do uso de progestágenos.



ISSN 2764-2135