PSEUCOCIESE CANINA – RELATO DE CASO

Gabriela Lara Lehmen, Alexandre Jacques Zarpellon, Gabriel Ferreira, Rebeca Luiza Overbeck, Vinicius Luiz Kappes, Leticia Reginato Martins

Resumo


A pseudociese, pseudoprenhez ou gestação psicológica ocorre geralmente em fêmeas caninas não castradas, seis a quatorze semanas após o estro, com sinais clínicos característicos no período pré, peri e pós-parto. Essa afecção é causada pela redução de progesterona e aumento de prolactina neste período. Existem fatores predisponentes que vão levar o animal a desenvolver esta enfermidade, tais como: durante ou após uso de progestágenos, tratamento com prostaglandinas, três a quatro dias depois de realizado ovariohisterectomia durante o diestro; nessas situações observa-se exposição à progesterona e posteriormente drástica redução desse hormônio. As fêmeas acometidas demonstram sinais psicológicos e fisiológicos de gestação como hiperplasia da glândula mamária, ganho de peso, corrimento vaginal mucopurulento. Pode haver também inapetência, formação de ninho, lactação, atitudes maternas com objetos, agressividade com outros cães ou pessoas, entre outros. O diagnóstico é baseado através dos sinais clínicos e exames complementares como o ultrassom abdominal para excluir a gestação verdadeira. Um dos principais problemas desta enfermidade é a chance de o animal desenvolver mastite, que se trata de uma infecção no canal das glândulas mamárias causada pelo excesso de leite retido, o que é um excelente meio de cultura bacteriológica, além de dermatites mamárias e neoplasmas locais. Em casos mais graves, inclusive podendo levar o animal a óbito. Para o tratamento é necessário a administração de fármacos com a finalidade de reduzir a produção de leite além de cessar o estímulo que está levando a esta produção. Antigalactogênicos (como a Metergolina), são fármacos amplamente utilizados em situações como essa, atuando através da competição de receptores de serotonina no hipotálamo o que irá levar a inibição de secreção de prolactina pela hipófise, consequentemente resultando na interrupção da produção de leite pela glândula mamária. O objetivo deste trabalho é relatar um caso clínico ocorrido no Hospital Veterinário da Universidade de Santa Cruz do Sul de uma cadela de sete anos, não castrada, sem raça definida que foi atendida no mês de abril de (2021) com hiperplasia mamária.  A queixa principal era de que o animal estava montando um ninho com objetos e que o próprio estava se auto amamentando. Durante o exame físico foi observada produção de leite além de lesões causadas pelos dentes da mesma no entorno dos mamilos. A partir da anamnese e do exame físico o animal foi diagnosticado com Pseudociese, sendo prescrito Metergolina para reduzir a secreção de leite e aconselhado que o tutor fizesse uso de colar elizabetano ou roupa cirúrgica no paciente afim de evitar o estímulo do auto aleitamento, além disso, foi agendada a ovariohisterectomia terapêutica após o fim do tratamento para evitar possível contaminação do sítio cirúrgico que o leite materno poderia causar. Desse modo, conclui-se que a pseudociese é uma afecção hormônio-dependente comum em fêmeas, podendo levar a várias consequências, como mastites e neoplasmas mamários. Em função disso, o tratamento cirúrgico é fundamental para reduzir os estímulos hormonais e evitar casos recidivantes.




ISSN 2764-2135