COMPARAÇÃO DAS MÉDIAS DE CARGA VIRAL NAS DIFERENTES VARIANTES IDENTIFICADAS EM PACIENTES DE SANTA CRUZ DO SUL

Eduarda Coelho Segatto, Erika Barreto Knod, Nayanna Dias Bierhals, Bruna Israel Lima, Lia Gonçalves Possuelo, Andreia Rosane de Moura Valim

Resumo


Introdução: COVID-19 é uma doença causada pelo vírus SARS-CoV-2 que configura-se como séria ameaça à saúde global, devido a sua alta transmissibilidade. Pode causar desde infecções assintomáticas até casos sintomáticos graves podendo levar a morte. Quando um vírus está circulando amplamente em uma população e causando muitas infecções, como é o caso do SARS-CoV-2, a probabilidade de sofrer mutações aumenta. Algumas variantes são descritas como variantes de interesse e outras de variantes de preocupação (VOC), pois podem aumentar a transmissibilidade, a gravidade, o desfecho da doença, ineficácia dos imunizantes disponíveis e até evadir aos testes de detecção. Diversas VOC foram identificadas desde o início da pandemia, sendo uma delas identificada pela primeira vez em novembro de 2020 na cidade de Manaus (P1), que recentemente passou a ser chamada de Gama (g). O teste padrão-ouro para a detecção do vírus é a transcrição reversa do RNA seguido da reação em cadeia da polimerase em tempo real (qRT-PCR). Este teste normalmente é utilizado como indicador qualitativo da presença e ausência do RNA viral, contudo é possível obter resultados quantitativos no teste pela utilização de um limiar de detecção, designado como threshold. O ponto em que o threshold cruza com a linha de amplificação da amostra, permite determinar o número de ciclos necessários para o início da amplificação da sequência gênica-alvo presente na amostra. Este valor é denominado Ct (“Cycle Threshold”) e permite a quantificação relativa do DNA de cada uma das amostras, após ser corrigido pelos Ct dos genes-controle endógenos e das amostras-controle. Objetivo: Comparar as médias de Ct de amostras com diferentes variantes identificadas em pacientes de Santa Cruz do Sul. Metodologia: Foram analisadas 26 amostras da rotina de diagnóstico molecular no TecnoUnisc, cujo teste molecular para a detecção do SARS-CoV-2 foi realizado na UNISC e o sequenciamento, para identificar o tipo de variante, foi realizado pela Feevale. A extração de RNA foi realizada com automação utilizando o kit comercial MagMAX CORE Nucleic Acid Purification Kit™. Para a RT-PCR, foi utilizado o sistema AGPATH. O sequenciamento ocorreu em uma plataforma Illumina MiSeq usando Miseq Reagent Kit v3 (600 ciclos). Principais resultados: Das 26 amostras analisadas, 19 (73%) apresentaram a linhagem Gama (P1). E quanto ao Ct, foi observado uma média de carga viral de 16,9. A linhagem B.1.1.28 foi observada em duas amostras (7,7%), com uma média de Ct de 16,4. Enquanto a linhagem Beta (B.1.351) foi identificada em uma amostra (3,8%), tendo como média de carga viral 12,7. Conclusão: Diante dos resultados descritos, considerando o número de amostras, conclui-se que a maioria das sequências pertence à linhagem Gama, por ser mais transmissível do que outras linhagens circulantes, apresentou uma alta taxa de transmissibilidade e predominância no município de Santa Cruz do Sul.  As linhagens B.1.1.28 e Beta apresentaram uma baixa frequência e expressaram uma alta taxa de carga viral, ocasionando perigo a população a medida em que o vírus se espalha.



ISSN 2764-2135