REPERCUSSÕES BUCAIS DO TRATAMENTO MEDICAMENTOSO APÓS TRANSPLANTE RENAL: UMA REVISÃO DE LITERATURA

Maile Maísa Langbecker, Michele Inês Baierle, Jenniffer Scapini Paludo, Martina Fiegenbaum Wingert, Simone Glesse

Resumo


Introdução: As hiperplasias gengivais são aumentos excessivos dos tecidos gengivais, os quais podem afetar a fala, a mastigação, a oclusão e a estética. Diversos fatores podem estar associados a essas exacerbações, como a higiene bucal precária, a genética e o uso de medicamentos classificados como antiepilépticos, bloqueadores de canais de cálcio e imunossupressores. Além disso, a associação entre fatores pode intensificar os quadros hiperplásicos. Objetivo: Descrever a relação entre o tratamento medicamentoso de pacientes com insuficiência renal crônica transplantados e as hiperplasias gengivais. Metodologia: Através de uma revisão de literatura, por meio de artigos e livros publicados em português e inglês, será avaliado o efeito hiperplasiante dos bloqueadores de canais de cálcio e dos imunossupressores em pacientes com doença renal crônica tratados por meio do transplante renal. A busca dos artigos foi realizada por meio das bases de dados: Portal de Periódicos da CAPES, SCIELO e PubMed a partir dos descritores em português e inglês: Hiperplasia Gengival (Gingival Hyperplasia), Transplante de Rim (Kidney Transplantation) e Tratamento Medicamentoso (Drug Therapy).  Principais Resultados: Para que um transplante tenha sucesso, uma terapia medicamentosa rigorosa é imprescindível. A ciclosporina é um medicamento imunossupressor, prescrito para pacientes transplantados renais com o intuito de evitar a rejeição do novo órgão pelo corpo. Um de seus efeitos colaterais é a hipertensão arterial, que frequentemente é controlada com o uso de bloqueadores de canais de cálcio, como a nifedipina. A associação entre estes dois medicamentos corrobora para uma potencialização na incidência de hiperplasias gengivais de origem medicamentosa. Histologicamente, a ciclosporina reduz o metabolismo dos fibroblastos e a nifedipina é capaz de acentuar essa redução. Com os fibroblastos atenuados, a produção de colagenase na forma ativa é limitada e a matriz extracelular se acumula nos tecidos causando o aumento gengival. A presença de inflamação secundária originada pela placa bacteriana também contribui para a exacerbação do volume gengival, que se inicia pelas papilas que aumentam de tamanho até coalescerem à papila adjacente. A interrupção do uso destes medicamentos seria o tratamento mais efetivo, no entanto, isso não se torna possível na maioria dos casos, sendo o controle da higiene e as intervenções para correções estéticas e funcionais os tratamentos mais empregados. Conclusão: Apesar da ciclosporina e da nifedipina estarem relacionadas às hiperplasias gengivais medicamentosas, não é possível prever quando elas ocorrerão. Sendo necessário, o acompanhamento odontológico preventivo antes e depois do transplante renal, possibilitando o controle precoce de lesões hiperplásicas de origem medicamentosa. Permitindo melhores condições de saúde bucal, de recuperação pós-operatória e de qualidade de vida para esses pacientes.




ISSN 2764-2135