PRÁTICA DE CAMPO VIRTUAL: UMA “VIAGEM” A RUANDA

Crystine Fernanda Bangel, Virginia Elisabeta Etges

Resumo


A Geografia nos possibilita exercer a prática da observação, análise e interpretação dos mais diferentes espaços. O trabalho de campo se mostra um grande aliado nessa área, pois desperta fortemente a atenção de qualquer indivíduo, além de facilitar a assimilação e compreensão dos conteúdos. Este tipo de trabalho faz parte da Geografia desde a sua origem, quando os viajantes e estudiosos percorriam o mundo, fazendo suas riquíssimas anotações que se transformavam em relatórios e pesquisas, contribuindo para a construção das bases Geográficas. Este trabalho tem como objetivo apresentar o relatório de prática de campo virtual, realizado através da disciplina Prática de Campo do Curso de Geografia da Universidade de Santa Cruz do Sul, e destacar as diversas oportunidades de aprendizado e aplicação dos conhecimentos geográficos através da prática de campo, mesmo que realizada virtualmente. A metodologia utilizada no trabalho foi baseada na pesquisa bibliográfica e documental, e pode ser classificada como qualitativa, de natureza exploratória e descritiva. O primeiro passo foi a construção de um guia de pesquisa para a caracterização do destino escolhido para a realização da prática de campo virtual. O segundo passo foi a elaboração de um referencial teórico e metodológico sobre o significado da prática de campo em Geografia. Em seguida foi elaborado o roteiro da viagem, contando com o itinerário, rotas de passeios e mapas, marcando os trajetos e as localizações de cada ponto a ser visitado. O país escolhido, Ruanda, é considerado uma fênix e um milagre em termos de desenvolvimento. Em 1994 viveu o pior momento da sua história, com o que foi considerado o mais atroz genocídio de todos os tempos. Estima-se que as mortes tenham ficado entre 800 mil e 1 milhão de pessoas integrantes da população Tutsi. Mas através da organização, planejamento e a busca da sustentabilidade socioeconômica e ambiental o país tem se superado, ano após ano. Considerando que o genocídio aconteceu há 27 anos, em uma visita ao país atualmente sem dúvida poderia se ter a oportunidade de conversar com sobreviventes, com pessoas que possivelmente perderam tudo o que tinham e se reergueram, ou aqueles que ainda lutam para melhorar de vida. A escolha do destino foi feita considerando a importância da atividade prática no ensino de Geografia, sobretudo da prática de campo. O fato de Ruanda ser um país rico em paisagens geográficas, cultura e arte, com uma história triste e uma recuperação forte contribuiu para esta escolha. O trabalho de campo permite que o aprendizado ocorra fazendo com que percebamos aspectos que antes não eram vistos e compreendidos da forma como realmente são, passam a ficar claras as contradições e assim podemos ampliar nossa visão sobre a dinâmica dos territórios. Como resultado deste trabalho tem-se a importante descrição e análise da marcante história e da geopolítica do país, bem como o registro das belas imagens e importantes pontos turísticos de Ruanda. Realizar o trabalho de campo, seja de forma virtual ou in loco, pode impactar profundamente a formação acadêmica, além de impactar a visão de mundo e a compreensão das imensas contradições que permeiam a vida dos povos ao redor do planeta. Assim, realizar esta “viagem a Ruanda” possibilitou o contato com uma realidade única e influenciou de maneira muito positiva a formação acadêmica dos “participantes da viagem”. 



ISSN 2764-2135