O LUGAR DAS MULHERES NA PEDAGOGIA DA ALTERNÂNCIA: ENTRE O IN/VISÍVEL DA FAMÍLIA

Bruna Caroline Borges, Cristiane Corneli, Cheron Zanini Moretti

Resumo


Este estudo apresenta um novo recorte do projeto de pesquisa Educação, Trabalho e Emancipação: as experiências pedagógicas das Escolas Famílias Agrícolas do Vale do Rio Pardo – RS. Trata-se de uma pesquisa qualitativa e dá continuidade ao estudo realizado em 2020 cujo foco se encontrava na participação das mulheres na Pedagogia da Alternância realizada pela Escola Família Agrícola de Santa Cruz do Sul (EFASC). Naquele momento, identificamos que as mulheres cumprem um papel educacional particular no processo de do-discência na experiência da EFASC, revelando a sua importância na reprodução social e societal. A partir disso, temos como objetivo compreender o lugar pedagógico ocupado pelas mulheres da/na EFASC, em especial, na sua relação com a "família" no processo da alternância entre tempos-espaços educativos. Realizamos entrevistas semiestruturadas com 2 egressas da EFASC e 2 mães agricultoras. E, como orientação teórico-epistemológica, tomamos como fundamento a educação popular e a educação do campo, bem como uma perspectiva feminista para análise. Além da compreensão da importância dos conhecimentos e saberes transmitidos pelas mulheres e do trabalho desenvolvido por elas tanto na lavoura, quanto no espaço doméstico e de cuidados- fundamentais na (re)produção da vida, a epistemologia feminista ampliou nossa compreensão sobre a participação das agricultoras na 'família' no processo de alternância. As mães agricultoras desempenham trabalho de mediação pedagógica através do acompanhamento das jovens estudantes. De um modo geral, lidam com diferentes Instrumentos Pedagógicos, realizam registros de atividades e de reflexões sobre a prática nos Cadernos de Acompanhamento, realizam leituras dos relatórios de atividades de pesquisas e auxiliam no desenvolvimento dos Planos de Estudos. Ou seja, esse papel ativo não é evidenciado no cotidiano da PA. Outro aspecto importante, encontra-se na participação das mulheres na tomada de decisões. Algumas delas são as responsáveis pelas negociações para créditos de financiamentos, assim como são as que atuam para a realização de diferentes atividades cotidianas na propriedade familiar, como: na definição sobre o quê plantar, quando plantar e quais tipos de fertilizantes utilizar, além de se responsabilizar pela organização dos trabalhos na lavoura para as semanas seguintes. Contudo, compreendemos que, apesar do papel desempenhado nas propriedades rurais, há um apagamento da mulher quando relacionamos a ideia de 'família'. Por se tratar de um grupo que engloba todos os sujeitos que compõem a estrutura, sem a definição de gêneros e os papéis efetivamente desempenhados, o lugar pedagógico (e político) ocupado pelas mulheres, tende a não ser visto e, assim, não valorizado. Além disso, através de grupos de mulheres, reúnem-se para trocas de experiências e de saberes, realizam a organização e preparação de jantares em paróquias, fazem levantamentos de investimentos para toda a comunidade, formando uma rede de fortalecimento entre as agricultoras. A análise, portanto, possibilitou a compreensão sobre a importância da EFASC na vida das jovens agricultoras, fazendo com que reconheçam a importância do seu trabalho e do trabalho de outras mulheres dentro das propriedades, incluindo a valorização das mães no processo pedagógico. Porém, atuando para avançar a uma problematização crítica de sua realidade.



ISSN 2764-2135