PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO E DEMANDAS DA SAÚDE QUE EMERGEM NA ESCOLA: REFLEXÕES NECESSÁRIAS

Laís Machado Corrêa, Laura Silva Geller, Maria Carolina Magedanz, Ana Carolina Kessler, Letiane de Souza Machado, Edna Linhares Garcia, Suzane Beatriz Krug

Resumo


A escola é um local propício para ações em saúde, visto que os escolares se encontram diariamente nesse ambiente. Os profissionais da educação convivem diretamente com os alunos, o que permite uma aproximação com as questões de saúde que permeiam o ambiente escolar e os arredores das escolas. O Ministério da Saúde, em conjunto com o da Educação, criaram o Programa de Saúde na Escola (PSE), que garante que atividades de promoção da saúde e prevenção aos agravos sejam realizadas com os escolares, integrando profissionais da saúde e educação. Contudo, ainda que definidas como prioritárias, algumas questões de saúde que são trazidas pelos escolares carecem de uma abordagem mais aprofundada como, por exemplo, a drogadição. Frente a esse cenário, esse resumo é um recorte da pesquisa “Narrativas de Adolescente sobre drogas e os serviços de saúde CAPSia e CAPSad: intersecções possíveis num município do Rio Grande do Sul”. Objetivou-se analisar os sentidos produzidos nas entrevistas com profissionais de educação acerca das demandas de saúde que emergem no ambiente escolar e suas implicações com as mesmas. Para tanto, foram aplicadas entrevistas semi-estruturadas com as equipes diretivas de dezesseis escolas públicas de um município do interior do Rio Grande do Sul. Os dados produzidos foram analisados na perspectiva teórico-metodológica de Mary Jane Spink. Foi possível identificar a emergência de sentidos que remetem à insegurança dos profissionais entrevistados diante da temática da droga e da drogadição. As falas foram permeadas por sentimentos de medo e impotência, que foram associados ao fato de que algumas escolas estão localizadas em territórios onde a drogadição e o tráfico se fazem presentes. Em algumas instituições foi relatado a promoção de ações sobre autoestima e qualidade de vida, em detrimento de abordagens diretas sobre a temática das drogas. Ainda que elas sejam presentes nos cotidianos dos escolares, as equipes relataram uma preferência por direcionar as discussões para outros assuntos. A temática das drogas é considerada um tabu na nossa sociedade, devido, entre outras, a sua ligação com a violência e a ilegalidade. Em outras escolas, professores reconhecem a necessidade de discutir a temática das drogas em aula, entretanto, não dispõem de recursos e/ou formação em educação em saúde. Desta forma, o fazem sustentados em concepções que carecem de fundamentação teórica e didática apropriada. Emerge dos relatos o sentido de um reconhecimento, por parte dos profissionais da educação, de um despreparo para lidar com o assunto da drogadição com os escolares, o que implica numa escuta pouco eficaz. Sendo assim, destaca-se a importância da articulação saúde-educação para a capacitação permanente dos educadores na lida de temas importantes, tal como a drogadição, que permeia o ambiente escolar e o cotidiano da comunidade, e desse modo fortalecendo o trabalho em rede por meio do PSE.



ISSN 2764-2135