Perspectivas da economia solidária em microrregiões do Oeste Catarinense

Luiz Victor Pittella Siqueira, Dunia Comerlatto, Jesica Mai

Resumo


Como campo de trabalho, a Economia Solidária é alternativa diferenciada para construir possibilidades de geração de renda e inclusão sócio-produtiva. Projetam-se os empreendimentos econômicos solidários como capazes de gerar desenvolvimento com maior valorização do ser humano e do meio ambiente. Este artigo traz uma discussão sobre Economia Solidária no oeste catarinense, com o objetivo de compreender as perspectivas das suas ações, considerando as características de gestão, instituições apoiadoras e desafios políticos operacionais. Apoia-se no método misto de pesquisa, uma vez que permite recortar e mesclar dados de caráter quantitativo e qualitativo, proporcionando maior legitimidade e aperfeiçoamento na compreensão das categorias e variáveis que se expressam em torno do objeto estudado. Utilizou-se da pesquisa de campo na abrangência das microrregiões da Associação dos Municípios do Extremo Oeste de Santa Catarina-Ameosc e Associação dos Municípios do Oeste de Santa Catarina-Amosc. Na Ameosc foram pesquisados Empreendimentos Econômicos Solidários-EES e instituições apoiadoras de suas ações e na Amosc, apenas essas instituições. Para a pesquisa de campo, com os sujeitos selecionados (representantes dos empreendimentos e lideranças), utilizou-se da aplicação de formulário e realização de entrevistas. A partir dos dados coletados sob a formalização jurídica, destaca-se a forma de associação, como a mais usual entre os empreendimentos nas duas microrregiões. Entre as atividades produtivas dos empreendimentos, destaca-se a produção de alimentos e de artesanatos. O modo autogestionário adotado nos empreendimentos pesquisados tem propiciado, em especial, a integração entre sócios e a geração complementar de renda. Não obstante, há dificuldades a serem superadas: baixa escolaridade dos trabalhadores; diversificação e diferenciação dos produtos; e, pouco envolvimento dos associados na gestão do empreendimento. Além disso, a dinâmica de gestão dos EES também possui dificuldades político-operacionais a serem superadas: limitada abrangência comercial e participação em redes; formalização jurídica adequada para ampliar possibilidades comerciais e de investimentos. As instituições de apoio aos empreendimentos solidários são diversas no âmbito da esfera governamental e não governamental, proporcionando acessos à infraestrutura e orientações técnico-gerenciais e de qualificação profissional e política. Os EES, como unidades de trabalho sócio-produtivo, são capazes de gerar processos de participação, auto-gestão e de desenvolvimento regional mais igualitário e sustentável.

Palavras-chave


Economia solidária. Inclusão sócio-produtiva. Gestão de Empreendimentos Solidários.

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ARTIGO


DOI: http://dx.doi.org/10.17058/redes.v20i3.5021

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