Signo, v.45, n.84: SEXUAL POLITICS, 50 ANOS DEPOIS: LEITURAS, REVISÕES E DIÁLOGOS NA CRÍTICA FEMINISTA CONTEMPORÂNEA

Sexual Politics, publicada em 1970, representou um marco no desenvolvimento dos estudos feministas, sobretudo no que se refere à chamada corrente anglo-americana. Seguindo o caminho aberto por Virginia Woolf (na década de 1920), Simone de Beauvoir (no final dos anos 1940) e Betty Friedan (no decênio de 1960), Kate Millett deu início a um amplo e aprofundado estudo sobre o pensamento patriarcal, que levou a sua definição teórica de política sexual. Mais do que apenas mergulhar em seus antecedentes históricos, trazendo evidências das ciências biológicas quanto ao caráter cultural do gênero (uma das suas referências foi o livro de Robert Stollers, Sex and Gender, publicado em 1968), ela apresentou uma convincente análise do funcionamento da política sexual, incluindo questões de raça, incorporada por textos literários de escritores do sexo masculino. Com uma extensa pesquisa sobre a complexa estrutura da dominação patriarcal exercida por meio da sexualização do poder, Millett inaugurou o caminho percorrido pelo feminismo teórico anglófono, ampliando sua influência por outras geografias e contextos nacionais. Hoje, passados cinquenta anos de sua publicação, o texto de Millett, traduzido para diversos idiomas, ainda inspira pertinentes debates interdisciplinares, em especial no que tange ao imaginário sobre gênero e seus efeitos estruturais que moldam as bases ideológicas e materiais das sociedades ocidentais contemporâneas. Em um contexto no qual o feminicídio, a violência doméstica, o estupro e a misoginia ainda alimentam as manchetes diariamente, a relevância dessa obra escrita há meio século torna-se inquestionável. Nesse sentido, o objetivo dessa chamada para publicação é explorar o legado de Sexual Politics: em que termos as correntes da teoria e da crítica feminista dialogam com a obra de Millett? É possível que novos desenvolvimentos teóricos, como o feminismo interseccional, a teoria queer e o feminismo pós-colonial / decolonial, tenham sido influenciados ou relacionem-se, de alguma forma, com as proposições e análises de Millett? Quais seriam as contribuições gerais de Millett à crítica literária feminista? A revista Signo, v.46, n.84, receberá ensaios e artigos científicos que apresentem propostas teóricas, críticas e metodológicas que explorem essas questões ou que possam contribuir para atualizar as discussões sobre a obra clássica de Kate Millett.

A organização desse número será coordenada pelo professor doutor Rafael Eisinger Guimarães (Universidade de Santa Cruz do Sul - UNISC) e pelas professoras doutoras Rita Terezinha Schmidt (Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS) e Margaret Randolph Higonnet (University of Connecticut – UConn).

Prazo para submissão: 01/agosto/2020
Publicação: setembro/2020