Chamada Signo: v. 46, número 86: Programa Ler para Aprender (LPA) e seu potencial pedagógico

O Programa Ler para Aprender (LPA), em inglês Reading to Learn (R2L), surgiu na Austrália no final da década de 1990 com o propósito de enfrentar um dos problemas centrais para a educação na época (e por que não dizer de todas as épocas): a participação desigual dos estudantes nas atividades de aprendizagem na escola durante
as práticas de leitura e escrita, provocada por vários fatores, dentre eles a origem familiar e a classe social. Rose e Martin (2012) argumentam que a desigualdade educacional persistia porque a abordagem dominante não ensinava explicitamente as habilidades necessárias para o letramento.
Embasada na Linguística Sistêmico-funcional, a partir da qual é possível aprender a língua, aprender sobre a língua e aprender através da língua, a pedagogia de gênero
entende que o conhecimento sobre a língua se centra em gêneros textuais e visa a integrar o ensino da leitura e da escrita ao longo de todo o currículo, em todos os níveis da educação básica. A pedagogia de gênero assim iniciada modifica-se ao longo de décadas até chegar à apresentação atual, como um Programa profissionalizante completo de ensino e aprendizagem (ROSE, 2018). Sua ênfase está no desenvolvimento de práticas e de atividades didáticas voltadas para o ensino da leitura e da escrita com foco nos gêneros textuais curriculares, na formação docente, na elaboração e na adaptação de textos a partir da perspectiva de gênero, no desenvolvimento de metalinguagem pedagógica, entre outras potencialidades. O que deve ser levado à consciência, na medida do possível, segundo o Programa LPA, são os padrões de registro instanciados em textos do currículo, para que professores possam chamar a atenção dos alunos para esses padrões e discutir o seu significado (ROSE, 2018). Nesse sentido, a Revista Signo, em seu v. 46, n. 86, tem por objetivo receber artigos que contemplem as diversas potencialidades do Programa LPA e seus desdobramentos em diversos contextos de ensino e de aprendizagem. São bem-vindos artigos que relatem a implementação desse Programa na Educação Básica e Superior, envolvendo línguas maternas ou línguas adicionais.

Organizadores:
Prof. Dr. Karen Santorum (UFSM / Brasil),
Prof. Dr. Andrés Ramírez (Ed.D Assistant Professor, Florida Atlantic University / USA)
Prof. Dr. Lucia Rottava (UFRGS / Brasil)

Cronograma:
Prazo para submissão: 15/11/2020
Publicação: março 2021