Chamada Signo: v.46, número 87: Dossiê Temático: Literatura e Tradução

É a partir da existência de traduções que obras estrangeiras passam a ser conhecidas por novos leitores, anteriormente impossibilitados de ter acesso a determinados conteúdos e informações. Uma tradução, nesse sentido, passa a participar da cultura de recepção em que está inserida, trazendo “alguma coisa de novo para o sistema literário e aí funciona nem sempre do mesmo modo do que na literatura original” (CARVALHAL, 2003, p. 230). Isso indica que não apenas os conhecimentos linguísticos, mas também as historicidades do par de línguas envolvidas no processo tradutório, suas culturas e cosmovisão (PAZ, 1990) precisam ser levados em conta para que o texto traduzido alcance seu novo público. Assim sendo, traduzir é uma maneira de dialogar com o outro, lançando um olhar descentralizador e positivo para com a dessemelhança. Por outro lado, de acordo com Santos (2002, p. 37), a tradução é “um trabalho emocional porque pressupõe o inconformismo perante uma carência decorrente do caráter incompleto ou deficiente de um dado conhecimento ou de uma dada prática”. Essa incompletude, que está na base da condição humana – a necessidade de comunicação, desde sempre falha – faz-nos perseguir, paradoxalmente, a perfeita compreensão por meio de palavras. O percurso histórico vê-se alterado a partir do século XXI, devido ao grande acesso a informações em rede. Os avanços de cunho teórico-metodológico provocam um aumento de interesse pelo ofício. O tradutor, agora compreendido como profissional que ocupa um entrelugar, precisa tomar decisões práticas, mas fundamentadas em teorias, tais como estrangeirização versus domesticação (VENUTI, 2002) ou tradução etnocêntrica versus tradução ética (BERMAN, 2007) ou, ainda, como uma “prática discursiva que revela os múltiplos signos da polivalência com as que estão construídas as cultura” (VIDAL CLARAMONTE, 2008, p. 83), que influenciarão decisivamente nos resultados finais de seu trabalho. A partir dessas e de outras considerações acerca da tradução como área de estudo e pesquisa, que incluem uma práxis reflexiva, o dossiê temático da revista Signo aborda a tradução literária e suas relações com a sociedade contemporânea. Sob tais perspectivas, serão aceitos trabalhos com enfoque nos contextos de produção e recepção de traduções nos diversos sistemas literários, bem como aqueles que tratem das conexões que o campo da tradução de saber promove com outras áreas, sobretudo as humanidades.

A organização do v. 46, n. 87, 2021 da revista Signo contará com as professoras Doutoras Luciana Ferrari Montemezzo (Universidade Federal de Santa Maria), Rosane Maria Cardoso (Universidade de Santa Cruz) e Ana María Díaz Ferrero (Universidad de Granada/UGR).

Prazo para submissão: até 30/abril/2021
Lançamento: setembro/2021