A melancolia, o discurso melancólico e suas relações com a mídia e com o consumo

Ernesto Söhnle Jr.

Resumo


Pretendemos, partindo da revisão estrutural da melancolia em Freud, Lacan e seus leitores, apontar os ecos estilísticos da mania no discurso melancólico de Louis-Ferdinand Céline. Para tal, confrontamos a obrigação celiniana de tamponar o vazio do real com a verdade toda, própria de seu estilo maníaco, com a forma shandiana assumida pelo Machado maduro, onde a ficção melancólica produz, paradoxalmente, um saber/satisfazer-se com a vida, baseado em uma verdade não-toda. Na sequência, examinamos os efeitos do discurso melancólico, a partir da invenção do significante depressão, abduzido pelo discurso da ciência e articulado pela mídia, sob os auspícios do discurso do capitalista. O que nos confronta com uma ideologia da depressão, antecipada pela melancolia poética dos Paraísos artificiais. Entretanto, essa ilusão de civilização sem mal-estar, via política da felicidade, é capaz de produzir certas consequências narcotizantes no laço social, que vão da toxicomania medicamentosa, compatível com a sociedade de consumo, até o apetite desagregador pelas drogas ilícitas.

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DOI: http://dx.doi.org/10.17058/signo.v36i61.2517

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