Significação e argumentação

Marion Carel

Resumo


Neste artigo, eu me proponho a voltar sobre a questão muito geral da significação das palavras. Que valores efetivamente uma língua associa às palavras e para que servem esses valores na determinação do sentido dos nossos discursos? A resposta atualmente banal é que as palavras descrevem o mundo e que suas significações, sistematicamente expressas, se acrescentam, umas após as outras, para determinar o sentido dos nossos discursos. É essa resposta banal que discutirei. Apoiando-me nos trabalhos de Anscombre e Ducrot, defenderei a hipótese de que a significação das palavras é, não informativa, mas argumentativa. Não quero dizer com isso que falar consiste em um esforço para persuadir. Falar não consiste mais em
persuadir do que em descrever o mundo. O que eu afirmo é que falar consiste em construir um texto, em entrelaçar as palavras, em colocá-las em relação, ou, ainda, em
apresentá-las como se generalizando ou se exemplificando, ou em opô-las. Falar consiste em construir um texto que, ao entrar num diálogo, ao mesmo tempo, fará eco
ao discurso de outro e tornará obrigatória sua resposta. Este artigo constituirá uma apresentação renovada do que eu chamei, de maneira um pouco pomposa, a Teoria dos Blocos Semânticos.

Palavras-chave


Significação; Argumentação; Teoria dos Blocos Semânticos.



DOI: http://dx.doi.org/10.17058/signo.v42i73.8579

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.


Disponibilidade para depósito: permite o depósito das versões pré-print e pós-print de um artigo