AVALIAÇÃO DE DISLIPIDEMIAS EM CRIANÇAS E ADOLESCENTE DE SANTA CRUZ DO SUL - RS

VIVIANE BITTENCOURT VARGAS, CÉZANE REUTER, ELISA KLINGER, MICHELE BERGER FERREIRA, MIRIA SUZANA BURGOS, ANDREIA ROSANE DE MOURA VALIM

Resumo


A obesidade infantil vem aumentando de forma significativa em muitos países, determinando várias complicações, e, devido à sua prevalência e seu alto custo financeiro e social, constitui-se num dos principais problemas de saúde pública. Muitas evidências sugerem que os fatores de risco para a aterosclerose e a doença arterial coronariana surgem na infância e possuem um longo período assintomático até a vida adulta. Este trabalho tem como objetivo comparar o perfil lipídico em escolares de Santa Cruz do Sul-RS de acordo com o sexo, tipo de escola, faixa etária e região. O presente estudo, de caráter transversal, contou com a participação de 1895 escolares (876 do sexo masculino e 1019 do sexo feminino), de 7 a 17 anos. As escolas foram estratificadas em municipal, estadual e particular; quanto à faixa etária, foram consideradas crianças os escolares com até 12 anos incompletos e adolescentes os escolares com 12 anos ou mais; para região foi separado em centro, rural e periferia. A avaliação dos parâmetros lipídicos foi realizada em aparelho semiautomatizado da LabMax Progress - LabTest™ e Miura One™, sendo utilizado seus respectivos protocolos. Foi realizada estatística descritiva dos dados, através do programa SPSS. Foi observado que 29,9% das meninas e 25,7% dos meninos encontraram-se com o percentual de colesterol total (CT) aumentado e, para a faixa etária, observou-se que 33% das crianças e 23,4% dos adolescentes encontraram-se com percentual acima do normal. Ainda sobre o CT, encontrou-se um percentual acima do desejável maior nas escolas estaduais (28,4%) do que nas escolas municipais (27,7%) e particulares (25,3%) e quando observada a região encontrou-se percentual maior de CT alterado na periferia (32,7%) quando comparado às demais regiões. Sobre triglicerídeos (TAG), encontrou-se uma taxa maior de escolares com valores alterados no sexo feminino (6,9%) do que no masculino (4,8%); para a faixa etária, observou-se um percentual maior de TAG acima do desejável em crianças (6,7%) do que nos adolescentes (5,2%). Quanto ao tipo de escola, encontrou-se um percentual maior de TAG acima do desejável nas escolas estaduais (6,2%) do que nas municipais (6,1%) e do que nas particulares (2,0%). Foi observado um percentual maior de baixo de HDL no sexo feminino (6,7%) do que no masculino (6,1%) e nos adolescentes o percentual foi maior (7,3%) do que nas crianças (5,4%). Ainda, observou-se que nas escolas estaduais (6,9%) os valores de HDL foram inferiores aos das escolas municipais (6,2%) e particulares (3,0%) e na região rural (7,5%) quando comparado às demais regiões. Foi encontrado um percentual maior de LDL elevado no sexo feminino (26,1%) do que no masculino (18,7%) e um percentual maior em adolescentes (24,3%) do que em crianças (20,9%). Ainda sobre LDL, encontrou-se um percentual maior nas escolas municipais (23,7%) do que nas escolas estaduais (23,4%) e particulares (8,1%) e um percentual maior na zona rural (33,3%) do que nas periferias (17,5%) e centro (12,7%). Conclui-se que a dislipidemia está presente em crianças e adolescentes escolares de Santa Cruz do Sul, sendo mais preocupante no sexo feminino e nas escolas estaduais. Referente à região, observou-se maiores índices de dislipidemias tanto nas periferias como na zona rural. Ressalta-se a necessidade de conhecer melhor as características nesta fase de desenvolvimento para que haja um melhor planejamento e intervenção para a prevenção das doenças cardiovasculares na fase adulta.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.