Literatura e história: diálogos possíveis

Francieli Daiane Borges

Resumo


RESUMO: O trabalho aqui apresentado procurará problematizar, de maneira teórica e ainda inicial, a não literalidade do discurso e a condição alegórica da palavra com vistas às convergências e divergências entre a História e a Literatura. O entendimento da Literatura não só enquanto fenômeno estético, mas também como manifestação cultural permeada pelo registro humano e a compreensão da própria historicidade possibilita que esses dois campos supracitados possam dialogar enquanto áreas de pesquisa. Faz parte do consenso de alguns que o historiador é um “contador de histórias” e que a sensibilidade histórica se manifesta na capacidade de criar uma narrativa plausível a partir de uma série de “fatos” que em sua forma mais rústica carecem de sentido, dependendo da decisão do historiador em configurá-los de acordo com determinadas estruturas de enredo. A maioria das sequências históricas podem ser contadas de maneiras diferentes, fornecendo interpretações diversas dos mesmos eventos e dotando-os de sentidos vários.A compreensão da História como a narrativa de um acontecimento passado está ligado às representações sociais que procuram dar algum significado ao lugar em que se vive. História e Literatura entrariam, dessa forma, como áreas discursivas que têm como referência o “real” – independentemente de registrá-lo “tal e qual” o contado, ou recriá-lo, ou ainda inventá-lo. A ficção na História é regulada por estratégias de argumentação, afora comparações e cruzamentos. O historiador precisa submeter a sua versão à testagem, através das fontes, com a finalidade de suscitar no leitor como teria sido o percurso de pesquisa. Ora, ou a História, como ficção, com seu discurso narrativamente organizado através do ponto de vista do historiador também é uma invenção; ou então é possível chegar aos indícios do passado através da Literatura – texto tido como criação de um escritor situado historicamente em um determinado tempo e espaço do qual ele enuncia. Dito isso, surgem questões que podem ser difíceis de delimitar: o que é histórico/literário e o que não é? Assim, esse trabalho procurará problematizar posturas epistemológicas que diluam essas fronteiras e que, em parte, relativizem a dualidade verdade/ficção, ou a suposta oposição real/não-real.

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