CONSÓRCIOS MICROBIANOS PROMISSORES PARA OTIMIZAÇÃO DA PRODUÇÃO DE BIOMASSA MICROALGAL

Martiele Bizarro da Silva, Tatiane Raquel Rathke, Rosana de Cássia de Souza Schneider, Michele Hoeltz, Lisianne Brittes Benitez

Resumo


As algas englobam um amplo grupo de organismos unicelulares ou multicelulares, com representantes microscópicos e macroscópicos os quais se desenvolvem em diversos ecossistemas, como superfícies de lagos, rios e mares. O gênero Desmodesmus sp. é formado por um representativo número de espécies e sua biomassa é constituída por diversos metabólitos de valor comercial e biotecnológico, os quais podem ser aplicados na elaboração de suplementos alimentares, pigmentos, biocombustíveis, cosméticos, entre outros. Neste sentido, o presente estudo teve por objetivo avaliar influência de bactérias isoladas a partir de efluente doméstico sobre o desenvolvimento da microalga Desmodesmus sp., através da aplicação de um sistema de consórcio. A partir de uma triagem de bactérias provenientes do efluente de uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE-UNISC), foram isoladas em ágar nutriente oito linhagens com distintas características morfológicas. Dentre as bactérias isoladas apenas as linhagens 1 e 4 apresentaram-se como Gram positivas. A atividade antimicrobiana da microalga frente às bactérias isoladas foi avaliada pelo método de ágar-difusão em poços. Uma das linhagens foi inibida pela microalga, sendo, portanto, excluída do estudo. Com as demais linhagens foram estabelecidos consórcios utilizando uma cultura axênica de Desmodesmus sp. visando avaliar a produção de biomassa em meio contendo efluente e em meio contendo apenas NPK (Nitrogênio, Fósforo e Potássio), ambos esterilizados por autoclavagem. O cultivo foi realizado em foto-período de 12 h em sistema de aeração estéril. A progressão celular foi mensurada através de contagens em Câmara de Neubauer. Para análise da produtividade da biomassa microalgal foi aplicada determinação de clorofila por espectrofotometria a 663 nm para análise de Clorofila a e 647 nm para Clorofila b. Em meio efluente, os consórcios estabelecidos com as bactérias 2 e 4 demonstraram maior crescimento, enquanto em meio NPK destacaram-se os consórcios 3 e 4. Os valores obtidos para a determinação de clorofila em meio efluente foram representativos para os consórcios com as bactérias 2, 4 e 6. Já em meio NPK os resultados demonstraram que apenas o controle 1, contendo unicamente a microalga, apresentou elevada produção de pigmento. Em meios onde há excesso de nutrientes disponíveis, como o NPK, a microalga tende a se desenvolver em um perfil heterotrófico e não utilizar a rota fotossintética. Quanto à biomassa seca, os consórcios que apresentaram os melhores rendimentos em meio efluente foram aqueles contendo as bactérias 3, 4 e 7, e em meio NPK foram as bactérias 1, 5 e 6. As associações da microalga com as bactérias em meio com NPK apresentaram de forma geral um melhor desenvolvimento possivelmente por tratar-se de um meio sintético enriquecido. O cultivo de Desmodesmus sp. em consórcio com bactérias isoladas do efluente da ETE-UNISC foi afetado positivamente, uma vez que estes micro-organismos foram capazes de estimular o crescimento da microalga, tanto em meio efluente quanto em NPK. Em vista disso, novos estudos estão sendo conduzidos no sentido de identificar as bactérias aplicadas nos consórcios e na definição de variáveis para a otimização do processo, visando assim um aumento no rendimento da biomassa da microalga Desmodesmus sp.

 

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