ADOLESCÊNCIA, USO DE DROGAS E ESTRATÉGIAS DE CUIDADO: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA

Luana Elaine Haas, Francieli Ester Müller, Kamilla Mueller Gabe, Janaíra de Oliveira Terres, Suzane Beatriz Frantz Krug, Edna Linhares Garcia

Resumo


A adolescência pode ser definida como uma fase do desenvolvimento humano, dotada de transformações físicas e psicológicas, muitas vezes, carregada de conflitos. Neste contexto, o uso indiscriminado de álcool e de outras drogas por parte dos adolescentes vem sendo apontado por pesquisas como uma problemática de saúde pública, especialmente, no que tange às consequências relacionadas a essa etapa da vida. Além de uma questão de saúde, esta situação tem sido reconhecida como importante demanda de ordem interdisciplinar. Ressalta-se a importância de analisar a temática das drogas a partir do contexto da adolescência, por compreender este momento da vida composto de intensa movimentação afetiva no processo de construção da subjetividade. Objetivo deste trabalho foi analisar as discussões sobre drogas e adolescência, no contexto da saúde pública.Trata-se de uma revisão sistemática da literatura, realizada nas bases de dados Scopus (Elsevier) e Scielo, com o intuito de evidenciar o estado da arte das publicações acerca do fenômeno do uso de drogas por adolescentes. A pesquisa utilizou os termos “Drogas”, “Adolescência” e “Saúde Pública”, de forma cruzada em cada uma das bases, delimitado para pesquisas realizadas no Brasil, sem utilização de filtro cronológico. A partir dos artigos encontrados foi possível compilar um quadro para análise, catalogando Autor, Título, Ano, Metodologia e Resultados. Este estudo integra a pesquisa “Narrativas de adolescentes sobre drogas e os Serviços de Saúde Mental CAPSia e CAPSad: intersecções possíveis no contexto de Santa Cruz do Sul”, contemplada pelo edital PPSUS 03/2017, com o objetivo de compreender como se dá o fenômeno da droga e da drogadição no município de Santa Cruz do Sul, através das narrativas de adolescentes escolares e profissionais da saúde. Os resultados demonstraram que na base de dados Scielo foram encontrados 24 artigos e na base Scopus (Elsevier) 21 artigos, dos quais três foram desconsiderados por se tratarem de resenhas. Constatou-se que a questão da drogadição na adolescência ainda se encontra muito relacionada a fatores de vulnerabilidade social. Temas como gravidez na adolescência, violência, ISTs  e baixa condição econômica foram apontados como possíveis fatores de risco para a drogadição. Ainda nos resultados, a droga apareceu não apenas em sua ilicitude, mas também na forma de medicações, corroborando a importante discussão acerca do uso indiscriminado e do fácil acesso aos mesmos. Os artigos trazem como fator de proteção ao uso de drogas os bons vínculos familiares, mas apontam que a família também pode ser cenário de iniciação a drogadição. Na base de dados Scopus (Elsevier), a quantidade limitada de resultados envolvendo o uso de drogas na adolescência enquanto problema de saúde pública reforça a concepção da drogadição, para o meio científico, ainda relacionada com a segurança pública e as práticas de higienização social. Já para a base de dados Scielo, o uso de substâncias psicoativas na adolescência configura um possível fator gerador de relacionamentos conturbados e que o aumento desses índices ressalta a importância do olhar crítico das políticas públicas. A problematização e discussão da temática das drogas na adolescência de forma interdisciplinar é essencial para proporcionar reflexões acerca das estratégias de prevenção e de promoção de saúde, no contexto da saúde pública.

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