Espetacularização, Território e Acontecimento - o mapeamento de um processo de desenvolvimento humano através das redes sociais virtuais

Marlise Amália Reinehr Dal Forno, Ronaldo Josué Faller

Resumo


Com o surgimento da globalização tivemos acesso a novas liberdades, com isso novas oportunidades e possibilidades foram acessadas, transformando e reconfigurando as práticas sociais. A midiatização da vida privada ou a espetacularização da imagem através das redes virtuais é uma consequência deste processo. O artigo visa refletir sobre este processo, passando pela espetacularização, onde o indivíduo é atraído a este território midiatizado; o território em si, na tentativa de compreender as práticas sociais, as territorialidades envolvidas; assim como dos efeitos à reverberação de um acontecimento, que vai às redes e produz sentidos dentro e fora deste território virtual. Diante disso, este artigo faz uma costura teórica entre os seguintes conceitos: espetacularização, território e acontecimento, a fim de compreender como o indivíduo se desenvolve através das redes sociais. O estudo identifica que este desenvolvimento está inserido dentro da ótica de Amartya Sen (2000), como o processo de alargamento de liberdades reais, dando voz ao indivíduo através das redes sociais virtuais, possibilitando que ele seja atuante nas suas relações sociais.

Palavras-chave


Espetáculo; Desenvolvimento; Redes Sociais; Território; Acontecimento.

Referências


AMARILDO CHARGE(Blog), 2014. Racismo e leitura labial. Disponível em: . Acesso em: 17 abril 2015.

BAREL, Y. Social e seus territórios. In: Auriac, F. e Brunet, R. (Orgs.) Espaços, Jogos e Questões, Paris: Fayard e Fundação Diderot. 1986.

BAUMAN, Zygmunt. Vigilância líquida: diálogos com David Lyon/Zygmunt Bauman; tradução Carlos Alberto Medeiros. – Rio de Janeiro: Zahar, 2013.

BECK, U. O que é globalizatión? Madri, editor de Paidós, 1998.

BENTHAM, Jeremy. O panóptico. Tradução de Tomaz Tadeu da Silva. Belo Horizonte: Autêntica, 2000.

CASTELLS, Manuel. A era da informação: economia, sociedade e cultural. (Volume 1 - A sociedade em rede). São Paulo: Paz e Terra, 1999.

______. A Sociedade em rede: do Conhecimento à Política. In: Conferência promovida pelo Presidente da República. Centro Cultural de Belém, Brasil, 2005.

______. Redes de indignação e esperança: movimentos sociais na era da internet. Tradução de Carlos A. Medeiros. Rio de Janeiro: Zahar, 2013.

CASTORIADIS, C. O Mundo fragmentado: Encruzilhadas do Labirinto III. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 1992.

CASTRO, Geldes C. O Panóptico virtual ou “quem vigia quem?” : Elementos para pensar a imersão nas redes sociais online. DCIMA – I Colóquio Internacional Mídia e discurso na Amazônia – Desafios contemporâneos: Apropriação e regimes de visualidades. 2013, p. 1-15.

CRESWELL, John W. Investigação Qualitativa e Projeto de Pesquisa: Escolhendo entre Cinco Abordagens. 3. ed. – Editora Penso,2014. 342 p.

DANTAS, Gabriel (Blog), 2014. Perfil de torcedora no Facebook. Disponível em: . Acesso em: 17 abril 2015.

DAWKINS, Richard. O Gene Egoísta. Tradução de Rejane Rubino; 2a impressão. São Paulo: Companhia das Letras, 2007. [1979].

DEBORD, Guy. A sociedade do espetáculo. Tradução de Estela dos Santos Abreu. Rio de Janeiro: Contraponto, 1997.

ESPN, 2014. Torcedora racista do grêmio é afastada do trabalho. Disponível em:< http://espn.uol.com.br/noticia/436121_torcedora-racista-do-gremio-e-afastada-do-trabalho-diz-jornal>. Acesso em: 17 abril 2015.

FACEBOOK, [s.d.]. Disponível em: . Acesso em: 09 maio 2012.

FACEBOOK. Política de uso e informações do Facebook. Disponível em:

. Acesso em: 01 abr. 2012.

FAUSTO NETO, Antonio. Como as linguagens afetam e são afetadas na circulação? Dez perguntas para a produção de conhecimento em comunicação / organizadores: José Luiz Braga, Jairo Ferreira, Antonio Fausto Neto, Pedro Gilberto Gomes. Editora Unisinos, São Leopoldo, p. 43-64, 2013.

______. Fragmentos de uma “analítica’ da midiatização. Revista MATRIZes. N. 2 abril 2008. P. 89-105.

FEEDHITS, 2014. Torcedora Patrícia Moreira vira capa da Playboy. Disponível em:. Acesso em: 17 abril 2015.

FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Tradução de Raquel Ramalhete. 35. ed. Petrópolis: Vozes, 2008.

FUINI, Lucas Labigalini. O território em Rogério Haesbaert: Concepções e Conotações. Geografia, Ensino & Pesquisa. Vol. 21 (2017), nº 1, p. 19-29. ISSN: 2236-4994 DOI: 10.5902 / 2236499422589.

FURTADO, Celso. Dialética do desenvolvimento. Rio de Janeiro; Editora Fundo de Cultura, 1964.

______. Introdução ao Desenvolvimento: enfoque histórico-estrutural. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2000.

______. A superação do subdesenvolvimento. Revista Economia e Sociedade – Vol. 3, Nº 1 (3), p. 37-42, dez. (1994).

GERADOR DE MEMES, 2014. Meme Macaco. Disponível em:. Acesso em: 17 abril 2015.

GOMES, Pedro Gilberto. Dos meios à midiatização / From media to mediatization: Um conceito em evolução/ An evolving concept. Editora Unisinos, 2018.

GRÊMIO ROCK, 2014. Meme galho em galho. Disponível em: . Acesso em: 17 abril 2015.

GRUZINSKI, Serge. A colonização do imaginário. Sociedades indígenas e ocidentalização no México espanhol século XVI-XVIII (Paris: Gallimard), 1988.

HAESBRAERT, R. Território e multiterritorialidade em questão. In: Viver no limite: Território e multi/transterritorialidade em tempos de in-segurança e contenção. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2014. Págs. 53-86.

______. O mito da desterritorialização: Do “fim dos territórios” à multiterritorialidade. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2004.

______. Des-territorialização e identidade: a rede gaúcha no Nordeste. Niterói: Eduff, 1997.

______. A desterritorialização: Entre as redes e os aglomerados de exclusão: IN: CASTRO, I. E., et. al, Geografia: Conceitos e Temas. 5ª ed, Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1995, p. 165-206.

HARVEY, David. Condição pós-moderna. São Paulo: Edições Loyola, 1992. 349 p.

LEFÉBVRE, H. A produção de espaço. Trad. Doralice Barros Pereira e Sérgio Martins (do original: La production de L'espace. 4 e Éd, Paris: Éditions Anthropos, 2000), Primeira versão: início, fev. 2006.

LEMOS, André. Cibercultura, tecnologia e vida social na cultura contemporânea. 3. ed. Porto Alegre: Sulina, 2007.

LÉVY, Pierre. O que é virtual? Tradução de Paulo Neves. São Paulo: 34, 1996.

______. Cibercultura. Tradução de Carlos Irineu da Costa. São Paulo: 34, 1999.

MCLUHAN, Marshall. Understanding Media, Routledge, London(1964).

O MUNDO visto do lado de cá. Direção de Silvio Tendler / Produção e Coprodução de Ana Rosa Tendler. Rio de Janeiro: Caliban, 2006. (89 min.).

ORWELL, George. 1984. Tradução de Wilson Velloso. 29. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2005.

PORTO-GONÇALVES. Carlos Walter. Geografias: movimentos sociais, novas territorialidades e sustentabilidade. 2001. (México, DF: século XXI).

PRADO, JLA. A naturalização da rede em Castells. Manaus: Ciências da Comunicação; 2000.

QUERÉ, Louis. Entre o facto e sentido: a dualidade do acontecimento. In: Trajectos, Revista de Comunicação, Cultura e Educação, nº 6, p. 59-76, 2005.

QUIJANO, Hannibal. "Colonialidade e modernidade/racionalidade"no Peru Indígena (Lima) Vol. 13, Nº 29, 1992a.

______. "Reflexões sobre a disciplinaridade inte, desenvolvimento e relações interculturais" em entre o conhecimento. Interdisciplinaridade em ação: estacas, obstáculos, resultados (Paris: UNESCO/ERES), 1992c.

______. "Colonialidade do poder, cultura e conhecimento na América Latina" em Anuario Mariateguiano (Lima: Amauta) Vol. IX, nº 9, 1997.

______. Colonialidade do Poder; Eurocentrismo e América Latina. In: A Colonialidade do Saber: Eurocentrismo e Ciências Sociais. Perspectivas Latino-Americanas. CLACSO, Buenos Aires, 2005.

R7PORTAL, 2014. Torcedores do grêmio chamam goleiro aranha de macaco. Disponível em: . Acesso em: 17 abril 2015.

SANTOS, Milton. Por uma globalização: do pensamento único à consciência universal. São Paulo: Record, 2000.

SAHLINS, Marshall. O pessimismo sentimental e a experiência: porque a cultura não é um objeto em via de extinção. Mana [online], 1997, v.3, n.1, p. 41-73.

SEN, A. Desenvolvimento como liberdade. São Paulo, Cia. das Letras, 2000.

SIBILIA, Paula. Facebook, MySpace, Orkut e Twitter. ''Só é o que se vê''. Em entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line, Rio de Janeiro, 2009. Disponível em: . Acesso em: 05 abr. 2012.

SOUZA, Marcelo Lopes de. O Território: sobre espaço e poder, autonomia e desenvolvimento. In: Castro, Iná Elias de et al. (Orgs.): Geografia: Conceitos e temas. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1995.

STOCKING, George W. Jr. Race, Culture and Evolution. Essays in the History of Anthropology (Nova Iorque: The Free Press). 1968.

TEMPREGUICANAO (Blog), 2014. Meme Boneca inflável. Disponível em: . Acesso em: 17 abril 2015.

YOUNG, Robert C. Desejo Colonial. Hibridismo em Teoria, Cultura e Raça (Londres: Routledge), 1995.

ZAMBRANO, C. Territórios plurais, mudança sociopolítica e governança cultural. Boletim Goiano de Geografiía 21 (1): 9-49. Jan. - Jul. 2001.

ZUBOFF, Shoshana. Na Era da Máquina Inteligente. New York: Livros Básicos, 1988.




DOI: http://dx.doi.org/10.17058/redes.v26i0.15315

Flag Counter

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.


Disponibilidade para depósito: permite o depósito das versões pré-print e pós-print de um artigo