A interculturalidade da doçaria brasileira sob a perspectiva de Gilberto Freyre

Rosana Eduardo da Silva Leal

Resumo


Os saberes culinários apresentam-se como mecanismos de adaptação humana ao ambiente vivido. São responsáveis por promover o diálogo entre a natureza e a cultura, tendo a capacidade de exprimir crenças, hábitos e costumes de grupos e sociedades. Neste contexto, podemos situar uma culinária tradicional que se desenvolveu a partir do cultivo da cana-açúcar no Brasil, iniciado no século XVI, que influenciou decisivamente o paladar dos brasileiros. Com pitadas ameríndias, portuguesas e africanas, o açúcar logo se solidificou na culinária brasileira misturando-se aos alimentos nativos, transformando-se em uma das especiarias mais utilizadas na terra brasilis. A iguaria gerou uma singular “cultura do doce”, como denominou Freyre (2007 [1939]), resultante da inventividade e criatividade de distintas etnias e grupos sociais. É sobre este universo que tratará o artigo, que buscará analisar as reflexões de Gilberto Freyre, importante antropólogo brasileiro, em seu livro “Açúcar”, traçando as influências, misturas e produções socioculturais que deram base à doçaria do Brasil. Apresentaremos também dados etnográficos sobre a culinária do açúcar presente na cidade histórica de São Cristóvão, um reduto de produção da doçaria tradicional tratada por Freyre.

Palavras-chave


culinária; interculturalidade; doçaria

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DOI: http://dx.doi.org/10.17058/agora.v21i1.12897

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