A “promessa da diferença” dos supermercados cooperativos: tornar acessíveis os produtos de qualidade através de cadeias alimentares sustentáveis e democráticas?

Autores

DOI:

https://doi.org/10.17058/redes.v24i3.14002

Palavras-chave:

Pobreza. Segurança Alimentar e Nutricional. Autoconsumo. Brasil.

Resumo

Nos últimos anos, os supermercados cooperativos e participativos estão se espalhando por toda Europa, especialmente na França, como um novo modelo de compra. Este artigo tem como objetivo analisar a “promessa de diferença" (LE VELLY, 2017) que distingue esse modelo da atual oferta de alimentos. Esta promessa é avaliada tanto através da análise desses projetos em termos de seleção de produtos, organização do trabalho e tomada de decisões, como através da implementação de atividades de regulação concretas. A metodologia baseia-se na análise de conteúdo de discursos, documentos e comunicação em jornais on-line, assim como em observação participante. Os principais resultados mostram que esses modelos emergem como uma alternativa, tanto aos supermercados convencionais quanto às redes alternativas. O estudo contribui para demonstrar que essas cooperativas se estruturam levando em conta os aspectos: econômicos (preço razoável dos produtos, redução dos custos fixos), sociais (acessibilidade, criação de espaços de troca e compartilhamento, participação na tomada de decisões) e ambientais (produtos locais e/ou orgânicos). Inspiram-se nos modelos dos supermercados convencionais em termos de acessibilidade (preços baixos, horários de funcionamento prolongados) e variedade de produtos. Porém, distinguem-se primeiramente por serem organizações sem fins lucrativos, reinvestindo o lucro na própria cooperativa ou em projetos solidários, além de envolverem ativamente os consumidores na tomada de decisões.

Biografia do Autor

Giulia Giacchè, Universidade de Santa Cruz do Sul, Santa Cruz do Sul, RS, Brasil

Agrônoma; Doutora em Desenvolvimento Sustentável, Território e Ambiente (Università degli Studi di Perugia, Italia) Planejamento Territorial (AgroParisTech; France); Exp’AU/Adeprina, AgroParisTech (Paris, France) giacche.giulia13@gmail.com;

Morgane Retière

Agrónoma, mestre em Ecologia aplicada; doutoranda em co-tutela em Ecologia Aplicada (ESALQ-Universidade de São Paulo) e em geografia (Universidade Paris 8 Vincennes – Saint-Denis) morgane.retiere@gmail.com http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4350262J5

Downloads

Publicado

2019-09-03

Edição

Seção

As (re)configurações rurais e urbanas na alimentação e a perspectiva territorial